segunda-feira, 21 de março de 2016

História que se repete há mais de dois mil anos

Nascida na Grécia com a finalidade de promover o bem comum aos habitantes da polis, a política hoje não é nem sombra do que seus criadores imaginaram.  Aristóteles, um dos principais filósofos do período clássicos da filosofia ocidental, afirmava que a única razão da existência da política era promover a justiça e a felicidade às pessoas.

Se vivesse nos dias atuais e tivesse reencarnado no Brasil, o criador da Metafísica, que era discípulo de Platão, ficaria estarrecido com o que nós conseguimos fazer com esse grande legado que os gregos tardios deixaram para a humanidade.

A política hoje passou a ser sinônimo de roubalheira, de corrupção, de traquinagem. Ser político hoje passou a ser sinônimo de bandido, de tudo de mal que existe. E com raríssimas exceções, pois ainda existem sérios e honestos neste país – pouquíssimos mais existem -, é muito difícil não concordar com isso.

Platão em sua mais importante obra, “A República”, já naquela época, seiscentos anos antes de Cristo, já defendia que os cargos públicos deveriam ser ocupados por pessoas preparadas para a função e foi mais além ao afirmar que só um rei-filósofo seria capaz de administrar com justiça as cidades-Estados gregas.

Se levarmos em consideração de que quando precisamos nos tratar de uma doença procuramos sempre um especialista, ou seja, o médico, ou se quisermos fazer uma reforma na nossa casa chamamos o carpinteiro ou pedreiro, a ideia de que a política só deveria ser exercida de fato e de direito por pessoas preparadas, ainda hoje, mil e seiscentos anos depois, parece ser a única tábua da salvação.

Platão criticava a democracia grega porque conseguiu ver a fragilidade do sistema no despreparo da população em eleger seus representantes. Para ele a falta de instrução do povo favorecia aos mais espertos que nessa ignorância popular uma oportunidade de manipular o processo de favor de seus próprios interesses.

Analisando o que ocorre no Brasil hoje, mais de dois milênios da primeira publicação de A República, a impressão que se tem é de que o homem que foi responsável pela imortalizarão de Sócrates, estava pensando em nosso país quando escreveu isso. Deste lado de cá do Atlântico, além de usar o povo como massa de manobra, aqueles a que deveriam defender nossos interesses estão mais preocupados em garantir o deles. Há exceção, mas são pouquíssimas.

Fonte: EDITORIAL – Jornal Diário da Amazônia.




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