domingo, 10 de abril de 2016

A PAZ VEM DA CONFIANÇA EM DEUS

Quem não experimenta a solidão, a dor, a aflição? Todas as pessoas, antes ou depois, são marcadas por esses sinais que o salmista define como as trevas da noite. Às vezes, os nossos dias se tornam ‘noites escuras’ e parece que a ‘luz’ some de vez. É o drama da humanidade que se sente abandonada na sua tristeza e lamentação. No entanto, esse salmo 4 da Sagrada Escritura nos convida a incrementar a confiança em Deus. É essa confiança que abre os horizontes de luzes que dissipam as trevas da vida. Veja, atentamente, o que diz o Salmo:

“Quando vos invoco, respondei-me, ó Deus de minha justiça, vós que na hora da angústia me reconfortastes. Tende piedade de mim e ouvi minha oração. Ó poderosos, até quando tereis o coração endurecido, no amor das vaidades e na busca da mentira? O Senhor escolheu como eleito uma pessoa admirável, o Senhor me ouviu quando o invoquei. Tremei, mas sem pecar; refleti em vossos corações, quando estiverdes em vossos leitos, e calai. Oferecei vossos sacrifícios com sinceridade e esperai no Senhor. Dizem muitos: Quem nos fará ver a felicidade? Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz de vossa face. Pusestes em meu coração mais alegria do que quando abundam o trigo e o vinho. Apenas me deito, logo adormeço em paz, porque a segurança de meu repouso vem de vós só, Senhor.”

Cantando, esse hino revela um clima de serenidade e de paz de quem confia em Deus. O ensaio de confiança no Senhor é o grande segredo de ir além das noites escuras da vida das pessoas. Nesse sentido, isto é possível para qualquer um de nós, depende da gente. Quantas histórias da humanidade nos relatam essa confiança em Deus. Nesses dias, por exemplo, foi divulgado o dia da santificação de Madre Tereza de Calcutá, que acontecerá em 4 de setembro próximo. Eu a conheci pessoalmente em Roma quando celebrei uma Santa Missa em uma comunidade da religiosa. Essa santa mulher foi um testemunho firme de confiança em Deus. Como conseguiu se doar totalmente aos mais pobres da Índia? Porque confiou no Reino de Deus, um reino diferente dos instalados nos povos deste pequeno planeta.

Essa confiança que exercitou na sua vida lhe deu poder de serenidade e tranquilidade. Lembro-me muito bem, como se fosse hoje, o comportamento da madre perante uma senhora que se aproximou dela e, chorando, contou-lhe as dificuldades da sua vida. E a freira, com o rosto marcado das rugas, fitou-a; e com a mão lhe fez um carinho na face e com voz tremula a abençoou. Imediatamente, aquela senhora tão triste se sentiu reanimada e lhe respondeu com um longo abraço. É essa confiança em Deus que madre Tereza conseguia transmitir para as pessoas e, sobretudo, aquelas mais abandonadas.

Madre Tereza invocava constantemente Deus e essa invocação lhe permitia enxergar diferentemente a realidade e, assim, não se deixava oprimir por ela. A paz e serenidade tomavam conta dela. Quem reza, como diz o salmista, e também como a madre Tereza fazia, é uma testemunha do amor de Deus e, portanto, nenhuma treva ou escuridão desse mundo, por quanto espessa fosse, a pode abalar. É essa confiança que dá alegria também nas noites da vida. Por que isso? O salmista reconhece que Deus é a sua justiça, e, segundo a linguagem bíblica, quer dizer salvação, esperança e libertação. É Deus que abre a quem sofre e ao abandonado um futuro de felicidade.

Portanto, o autor desse salmo faz um apelo para fazer a opção de Deus na vida, aceitando o seu projeto e o seu amor. Nesse sentido, não pode se deixar distrair pelas vaidades e mentiras, típico da nossa sociedade. Convida o autor a fazer uma avaliação das próprias consciências no segredo da noite quando estiverem deitados, porque é nesse silêncio que se descobre a opressão do pecado. E a partir daí pode chegar ao arrependimento e à conversão que proporcionará a tranquilidade e serenidade. E o salmista conclui de maneira triunfal dizendo: “Pusestes em meu coração mais alegria do que quando abundam o trigo e o vinho”.

Uma vida serena e feliz está nas mãos de Deus. Perante tudo isso se pode dizer que as ‘noites’ descem na vida da humanidade, mas o coração do ser humano está repleto de alegria e de esperança. A alegria e a paz é que constituem a vida dos que confiam no Senhor. Para enaltecer tudo isso, o salmo os mistura com o vinho e o trigo quais símbolos do bem-estar da vida, produto agrícola. Termina o salmo com uma imagem noturna dominada pelo sono, sinal de repouso, mas, também, na linguagem bíblica, da revelação de Deus. Assim sendo, a humanidade tem uma saída aos seus dramas: ensaiar a confiança em Deus, autor da vida.

Fonte: Claudio Pighin, sacerdote, jornalista italiano naturalizado brasileiro, doutor em teologia, mestre em missiologia e comunicação.

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