sábado, 20 de maio de 2017

Pilotar moto: emocional, sensorial e racional

De novo conversando com um amigo motociclista, perguntei em como ler… Ele havia lido o livro “O que é ler”. Ele era muito eloquente sobre como ler, nas diferentes formas de entender. Extrapolei o conceito de ler e levei para o lado de como pilotar. Percebi que há vários estados: o sensorial, o emocional e o racional. Vamos discorrer sobre este assunto que me faz pensar um pouco mais sobre este tema complicado.
A motocicleta como instrumento modificador e libertador. Não saia da vida sem perceber isso!

O sensorial: a gente percebe a moto pelo ronco do motor, pelo barulho das válvulas, pelo ruído a cada troca de marcha e a vibração. É quando nós “sentimos” a motocicleta, seja pelos ouvidos, ou pela vibração que chega ao guidão e pedaleiras, ou na ação das leis da física a cada aceleração, frenagem etc.  
O emocional: tive a rara oportunidade de viajar mais de 9 mil quilômetros pelo Atacama. Olhava para o lado e tudo era lindo, mesmo quando havia vento lateral e chuva, tudo era lindo. É quando lembramos das paisagens e dos eventos que a motocicleta nos proporcionou... E nos emocionamos dentro do capacete. Passamos por lugares que jamais vamos esquecer, seja por lembranças, seja por novas experiências que para sempre serão lembradas. 
O racional: é o mais fácil quando sabemos pilotar. É mudar de marcha da maneira certa, contornar aquela curva de forma correta, seguir o piloto da frente, acelerar e correr.  
Isso me lembra um texto que li: “o piloto agarrava-se ao guidão naquele seu mundo particular dentro do capacete, sentindo a trepidação do motor, olhando a paisagem e a multidão enquanto se lembrava dos passeios matinais quando criança. Acelerava, freiava e fazia curvas quase perfeitas, lembrando das manobras de seu pai, que olhava para trás e perguntava se estava tudo bem.” 
Valentino Rossi, piloto nove vezes campeão no Mundial de Motovelocidade
Claro que todos podem pilotar de forma simplesmente racional. A MotoGP faz isso, Valentino Rossi, e outros fazem de forma exímia exatamente isso. Mas algo se perde no meio do caminho: as partes sensorial e emocional que nos fazem seres humanos e motociclistas. 

Isso é conduzir uma moto! Não se preocupe! Saia agora, sinta, lembre e pilote com responsabilidade. Sinta seus pés, mãos, corpo, lembre dos cenários, mesmo que rapidamente, e tenha competência para ver os olhos das pessoas quando passar por elas.
Depois desta conversa, meu amigo (do começo da conversa) olhou para mim e não disse nada. Pegou a moto e continuou a pilotar. Espero que de forma mais completa. As coisas continuam a acontecer. A vida continua e vamos pilotar em frente. Com amor, sensação, emoção ou racionalidade. Só pilotar a sua moto. Seja uma scooter, seja uma pequena, de alta cilindrada, seja um triciclo.
Fonte: Roberto Severo / São Paulo -  Motociclismoonline.com.br


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