quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Sorte ou azar?

O concorrido voo internacional decolaria às 9:11.

Ela, reserva confirmada naquele voo, saiu às pressas da reunião, pegou um táxi e rumou para o aeroporto. No meio do caminho tinha ocorrido um acidente (a pedra de Drummond) e o trânsito estava engarrafado. Acabou perdendo o voo e o importante compromisso que teria no mesmo dia à tarde na cidade de destino.


Ele chegara cedo ao aeroporto, para tentar um lugar naquele mesmo voo. Acabou, no último instante, conseguindo embarcar, no lugar da passageira que não pôde chegar a tempo.


Ela, já em casa, muito aborrecida por ter perdido o voo, não pensava em outra coisa: “Que azar!”.


Ele, já acomodado em sua poltrona, feliz da vida por ter conseguido o lugar que tanto queria naquele voo, suspirava em pensamento: “Que sorte!”.


Duas horas depois, a notícia: o avião caíra e desaparecera nas água do oceano. No local do acidente, partes da aeronave boiavam, sem indícios de nenhum sobrevivente; todos, passageiros e tripulantes, perderam a vida no trágico acidente. Os compromissos que teriam ao desembarcar no aeroporto de destino, suas vidas, interrompidas, os sonhos e planos por realizar… tudo agora fazia parte do passado.


Abalados com a notícia, os familiares do passageiro que conseguira embarcar no último minuto, diziam a si mesmos em silêncio fúnebre: “Que azar!”. Enquanto ela, a passageira que perdera o voo, ainda sem acreditar na notícia que acabara de receber pela tevê, dizia a si mesma diante do espelho: “Que sorte!”.


TSRossi / Porto Velho-RO.





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