quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ROBSON OLIVEIRA - Resenha Política

 CONVENÇÃO

A convenção estadual do PSD, realizada no último sábado, em Porto Velho, consolidou a candidatura de Adailton Fúria ao Governo de Rondônia e produziu, até aqui, uma das maiores demonstrações de mobilização política desta pré-campanha. A casa de eventos simplesmente ficou pequena para acomodar a multidão formada por militantes, simpatizantes, candidatos proporcionais, lideranças e apoiadores vindos de diversas regiões do Estado.
IMPACTO
Como era previsível, adversários tentaram minimizar o impacto da convenção, sustentando que boa parte do público seria formada por ocupantes de cargos comissionados. Faz parte do roteiro de toda disputa eleitoral: quando um lado reúne multidões, o outro procura desqualificar a plateia. É a chiadeira e o desdém típicos do jogo político.
LOTAÇÃO
O fato concreto, contudo, é que milhares de pessoas, ocupando cargos públicos ou não, lotaram o espaço e ovacionaram o candidato do PSD, num ambiente de entusiasmo que dificilmente pode ser ignorado por quem acompanha a sucessão estadual.
ALVO
A maior surpresa da noite ficou por conta da presença do governador Marcos Rocha. Alvo de críticas vindas de diferentes setores políticos ao longo de sua administração, Rocha subiu ao palco e declarou apoio à candidatura de Adailton Fúria, movimento que imediatamente passou a ocupar o centro das conversas políticas.
CONTINUISMO
Fúria tratou de afastar qualquer interpretação de que o apoio significaria um compromisso com a continuidade do atual governo. Disse receber de forma respeitosa toda manifestação de apoio, mas fez questão de reafirmar sua independência política. Embora na política cada vez mais você explica mais complica e a melhor tática é ignorar com o monitoramento das pesquisas. Elas que devem ser o guia interno da eleição.
CAPACIDADE
A convenção do PSD termina deixando um recado político claro: independentemente das críticas ou da tentativa dos adversários de reduzir seu significado, Adailton Fúria demonstrou capacidade de mobilização, reuniu uma expressiva plateia e saiu do evento com a candidatura fortalecida e no centro do debate eleitoral. O resto de lorota.
ANIMAÇÃO
Depois da demonstração de força do PSD, foi a vez de União Brasil e PP realizarem sua convenção. Sem a multidão vista em outros eventos, mas com militância mobilizada e um ambiente claramente favorável aos candidatos, o ato político lotou dois espaços do ginásio da UNOPAR e homologou as candidaturas de Hildon Chaves ao Governo de Rondônia e de Mariana Carvalho e Silvia Cristina ao Senado, além dos postulantes aos cargos proporcionais.
PORTFÓLIO
Se alguém esperava um discurso inflamado apenas contra adversários, Hildon preferiu seguir outro roteiro. Voltou a listar as obras realizadas durante seus dois mandatos à frente da Prefeitura de Porto Velho, relembrou as dificuldades encontradas ao assumir uma administração combalida e usou a própria experiência como cartão de visitas para convencer o eleitor de que está preparado para governar Rondônia.
EXPERIÊNCIA
O ex-prefeito também direcionou críticas à situação fiscal do Estado. Sem entrar em ataques pessoais, defendeu que o próximo governador precisará reunir capacidade administrativa e experiência para conduzir uma gestão compatível com as expectativas dos rondonienses. A mensagem foi clara: campanha se vence com discurso, mas governo se faz com gestão.
PROMESSA
Ao que tudo indica, esse será o principal eixo de sua estratégia eleitoral. Em vez de promessas mirabolantes, Hildon pretende vender experiência administrativa, lembrando que conseguiu reorganizar Porto Velho e entregar obras estruturantes. Como exemplo, citou a construção da nova rodoviária da capital, concluída em apenas um ano, e prometeu repetir a fórmula com a construção do novo HEURO, projeto que apresentou como uma de suas prioridades caso seja eleito.
MOEDA
Bem avaliado ao encerrar o mandato na Prefeitura, Hildon demonstrou confiança no resultado das urnas e afirmou que, nas próximas semanas, apresentará de forma detalhada seu plano de governo. A campanha começa a ganhar contornos mais nítidos: enquanto alguns apostam no discurso da renovação, o candidato de União Brasil e PP escolheu a experiência como seu principal ativo político. Agora caberá ao eleitor decidir se currículo continua sendo moeda forte numa eleição cada vez mais disputada.
LIMINARES
Antes vistas como improváveis, as duas liminares obtidas por Acir Gurgacz representam, sem dúvida, um alívio em uma longa travessia de derrotas judiciais. Primeiro veio a suspensão dos efeitos da condenação que lhe devolveu, provisoriamente, a elegibilidade.
TESE
Agora, uma nova decisão reforça esse entendimento ao reconhecer a plausibilidade da tese de nulidade da condenação por possível incompetência do STF para julgá-lo, já que os fatos ocorreram antes do mandato de senador e sem relação com a função parlamentar.
PROVISORIEDADE
É, porém, essencial separar o aspecto jurídico do político. As duas decisões são liminares, concedidas em caráter provisório, e não representam julgamento definitivo do mérito da revisão criminal. A condenação não foi anulada, nem houve absolvição. O que existe é a suspensão temporária de seus efeitos até que a Corte decida, em definitivo, se houve ou não nulidade no processo.
INSEGURANÇA
No plano judicial, Acir conquistou duas vitórias importantes, mas insuficientes para afastar a principal sombra sobre sua candidatura: a insegurança jurídica. Adversários certamente explorarão, à exaustão, a narrativa de que o eleitor pode votar em um candidato que, caso eleito, ainda corre o risco de perder o mandato se a revisão criminal for rejeitada. Em política, percepção muitas vezes pesa tanto quanto a realidade jurídica.
BRECHA
Depois de anos acumulando derrotas em sucessivos recursos, Acir finalmente encontrou uma brecha favorável no Supremo. Resta saber se essas vitórias cautelares serão o início de uma reviravolta ou apenas um breve intervalo antes da palavra final da Justiça. Até lá, sua campanha seguirá caminhando entre a esperança produzida pelas liminares e a incerteza de um julgamento que ainda está por vir. E este filme todos conhecem seu The End.
VÍTIMA
Enquanto muitos pré-candidatos transformam a disputa eleitoral em um festival de ataques e provocações, a deputada federal Sílvia Cristina segue por um caminho diferente. Pré-candidata ao Senado, percorre Rondônia com uma campanha leve, propositiva e colhendo os frutos de um trabalho construído ao longo dos últimos anos junto à maioria das administrações municipais.
DEDICAÇÃO
Sua trajetória política foi forjada na militância em defesa da saúde pública, área que continua sendo a maior angústia dos rondonienses. Em um estado onde hospitais vivem sob pressão, faltam especialistas e o atendimento ainda deixa muito a desejar para quem mais precisa, Sílvia conseguiu transformar essa bandeira em sua principal identidade política. Independentemente das preferências partidárias, até adversários costumam reconhecer a seriedade e a dedicação com que conduz esse trabalho.
DESQUALIFICAR
Talvez seja exatamente esse desempenho que explique o incômodo que sua candidatura provoca. À medida que cresce nas pesquisas e amplia sua presença no interior, multiplicam-se também os ataques pessoais, muitos deles sem qualquer relação com o debate de ideias ou de propostas. É o lado mais degradante da política: quando faltam argumentos, sobra a tentativa de desqualificar o adversário.
JOIO
Em vez de discutir projetos para Rondônia, há quem prefira investir na agressão, na insinuação e na desinformação. O eleitor, contudo, costuma separar o joio do trigo e sabe distinguir quem apresenta resultados de quem vive apenas da desconstrução alheia.
CONFIANÇA
Sílvia Cristina poderia ter escolhido o caminho mais confortável da reeleição à Câmara Federal, onde desponta como uma das parlamentares mais atuantes da bancada de Rondônia. Preferiu, entretanto, enfrentar uma das disputas mais difíceis da política brasileira: uma vaga ao Senado. É uma aposta de alto risco, mas que demonstra confiança no capital político acumulado ao longo dos mandatos.
FOCO
Os levantamentos eleitorais divulgados até aqui mostram que sua candidatura larga em posição competitiva. Ainda há uma longa estrada até as urnas e muita água passará por baixo da ponte. Justamente por isso, sua campanha precisará manter o foco nas propostas e redobrar a atenção diante do ambiente tóxico que costuma contaminar as disputas majoritárias.
SINAIS
Na política, o sucesso quase sempre desperta admiração, mas também atrai ressentimentos. E, quando uma candidatura começa a incomodar, é sinal de que deixou de ser apenas uma participante da corrida para se tornar uma competidora real.
A VIDA COMO ELA É
Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Na política, a única unanimidade inteligente é outra: ninguém acredita que alguém saque R$ 2 milhões em dinheiro vivo para comprar pão, pagar o açougue ou quitar a prestação da geladeira. Até porque, se existisse limite de PIX para carregar mala de dinheiro, muita gente estaria protestando contra o Banco Central.
FORTUNA
A apreensão da fortuna pela Polícia Federal, logo após o saque numa agência bancária de Porto Velho, transformou a política rondoniense numa mistura de romance policial com comédia de costumes.
CAMPANA
A PF, ao que tudo indica, não foi passear na porta do banco. Esperou pacientemente o peixe morder a isca antes de puxar a linha. Quando veio o bote, dois seguranças resolveram homenagear o patrono das corridas de cem metros rasos e desapareceram do mapa numa velocidade que faria Usain Bolt pedir revisão do cronômetro.
ESPECULAÇÃO
Na política, porém, ninguém corre mais do que a fofoca. Antes mesmo que a tinta do auto de apreensão secasse, surgiram especialistas em malas de dinheiro, doutores em caixa de papelão e pós-graduados em adivinhação eleitoral. Nos bastidores, cada grupo aponta o dedo para o adversário com a segurança de quem viu tudo da janela, embora a maioria estivesse apenas olhando o WhatsApp.
JUSTIFICATIVA
O dinheiro, segundo a justificativa apresentada, destinava-se ao pagamento, em espécie, de uma obra. Perfeitamente possível. O curioso é que a obra continua mais misteriosa que o Santo Graal. Não se sabe qual é, onde fica, quem contratou, quem receberia nem por que precisava de uma pequena montanha de cédulas. Talvez a construção mais avançada, até agora, seja mesmo a da desconfiança.
INVESTIGANDO
É importante dizer - porque o Estado de Direito não pode ser substituído pelo tribunal das redes sociais - que não existe, até este momento, qualquer informação oficial sobre a quem pertence o dinheiro nem sobre eventual destinação eleitoral. As investigações seguem em curso, e isso separa o jornalismo sério da fábrica de boatos.
IMAGINAÇÃO
Mas convenhamos: eleição sem dinheiro suspeito é como romance de Machado de Assis sem ironia. Quando aparecem R$ 2 milhões em espécie, a imaginação da República entra em campanha antes dos candidatos. Os adversários começam a enxergar malas onde há mochilas, cofres onde há armários e conspiradores até na fila do cafezinho.
GRUPOS
Poucos grupos políticos ou econômicos em Rondônia possuem musculatura financeira capaz de movimentar uma quantia dessa envergadura em dinheiro vivo. É justamente por isso que a apreensão provocou um efeito colateral previsível: uma epidemia de insônia. Tem gente que nunca viu a mala, não conhece o dono, ignora a origem do dinheiro, mas acordou de madrugada para conferir se seu nome ainda não apareceu numa conversa de bastidor.
ESPETÁCULO
A Polícia Federal, por sua vez, faz o que dela se espera: investiga. Os políticos fazem o que também se espera deles: especulam. E o eleitor assiste ao espetáculo tentando descobrir quem está falando a verdade e quem apenas tenta empurrar a mala para o porta-malas do adversário.
SUSPENSE
Como ensinava Shakespeare, "há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia". Em Rondônia, às vezes, há também alguns milhões entre o banco e o destino final. E descobrir para onde essa fortuna estava realmente viajando talvez seja o primeiro grande suspense desta temporada eleitoral.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

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ROBSON OLIVEIRA - Resenha Política

 COMPREENSÃO

Quem pretende ocupar uma cadeira no Senado precisa compreender que a primeira obrigação de um legislador é defender o cumprimento da lei, não criar constrangimentos para quem a faz valer.
CRIME
Ao criticar operações de combate ao garimpo ilegal e sugerir que a repressão estatal é o problema, o pré-candidato Bruno Scheid escolhe um caminho perigoso. Não se trata de discutir mineração legal, atividade prevista em lei e que merece segurança jurídica. O debate é outro: garimpo ilegal é crime. E crime de alta complexidade. Scheid é um candidato forte e com capilaridade de crescimento é pode vir a ser um dos nossos membros no Senador. Não é crível defender o indefensável apenas de olho no voto.
DEGRADAÇÃO
Não estamos falando apenas de impactos ambientais ou da devastação dos rios amazônicos pelo mercúrio, metal que contamina peixes, populações ribeirinhas e deixa sequelas irreversíveis à saúde. A própria Polícia Federal aponta que essas operações buscam interromper atividades que degradam o meio ambiente e expõem a população a níveis perigosos de contaminação.  
CONEXÃO
O garimpo ilegal também se tornou uma engrenagem do crime organizado. Investigações em curso apontam sua conexão com lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organizações criminosas, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e outras modalidades de criminalidade que financiam estruturas ilícitas na Amazônia.  
VIOLAÇÃO
É evidente que existem trabalhadores que ingressam nessa atividade por falta de oportunidades. Essa realidade merece políticas públicas. Mas não se combate exclusão social enfraquecendo a repressão contra organizações criminosas que lucram bilhões às custas da destruição ambiental e da violação da lei.
COERÊNCIA
Curiosamente, o próprio Bruno Scheid costuma defender que invasão de propriedade rural não pode ser aceita porque a lei deve prevalecer. É um argumento coerente. A mesma coerência deveria valer para o garimpo ilegal. Se a lei precisa ser respeitada no campo, também precisa ser respeitada nos rios e nas áreas de exploração mineral.  
BIOMBO
Um senador pode defender mudanças na legislação mineral, simplificar licenças, estimular a mineração regular ou propor novas regras para o setor. Isso faz parte do debate democrático. O que não parece compatível com o cargo é transformar quem combate atividades criminosas no alvo principal das críticas. A defesa do desenvolvimento da Amazônia não pode servir de biombo para relativizar crimes ambientais ou econômicos.
ELEMENTAR
Quem deseja legislar para o país deveria ser o primeiro a separar o garimpeiro legal do criminoso que atua à margem da lei. Num Estado como Rondônia, onde a mineração tem importância econômica, esse equilíbrio é indispensável. Defender a atividade legal é uma coisa. Colocar sob suspeita as ações contra o garimpo ilegal é outra completamente diferente. Para quem pretende ser senador da República, a distinção deveria ser elementar.
EMPATE
A pesquisa Real Time Big Data, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RO-04369/2026 e divulgada nesta quinta-feira pelo site Rondônia Dinâmica, confirma aquilo que os bastidores da política rondoniense já sussurravam: a sucessão estadual caminha para uma disputa de alta tensão. No primeiro turno, Marcos Rogério (PL) lidera com 36% das intenções de voto, seguido por Adaílton Fúria (PSD), com 28%, enquanto Hildon Chaves aparece com 13%.
ACIRRAMENTO
O dado que mais chama a atenção, porém, está na simulação de segundo turno. Marcos Rogério alcança 44%, contra 40% de Adaílton Fúria. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o cenário caracteriza um empate técnico e antecipa uma reta final marcada pelo equilíbrio. Embora leve uma vantagem maior em relação ao Hildon Chaves, com o decorrer da campanha, é um candidato para ser elevado à sério pela capacidade de resiliência que demonstra possuir.
DIÁLOGO
A liderança do senador permanece consolidada, mas a pesquisa também sugere que vencer no segundo turno será um desafio bem maior do que liderar o primeiro. Afinal, eleições majoritárias costumam exigir capacidade de ampliar alianças e dialogar com um eleitorado mais amplo do que o núcleo de apoiadores.
DIFERENÇAS
É justamente aí que reside o principal teste para ambos os finalistas. Marcos Rogério precisará romper qualquer percepção de candidatura restrita ao eleitorado mais ideológico, apresentando propostas exequíveis e um discurso capaz de conquistar o centro político. Já Adaílton Fúria terá de demonstrar que seu crescimento não é apenas um movimento conjuntural, mas uma alternativa consistente de governo. E Hildon repetir a resiliência eleitoral. Aliás, os ataques estão se revelando inócuos.
DIFERENCIAL
Os debates, inevitavelmente, ganharão peso decisivo. Não bastará atacar o adversário. O eleitor deverá exigir preparo administrativo, equilíbrio emocional e capacidade de apresentar soluções concretas para os problemas históricos de Rondônia. Aliás, os ataques em curso tem se revelado inócuos. Embora candidatos insistam em manter como estratégia eleitoral visando desqualificar o adversário. Algo que não tem surtido o efeito que causava no passado antes do advento da internet.
FAVORITISMO
Ainda há semanas de campanha pela frente, e pesquisas retratam apenas o momento em que são realizadas, não o resultado das urnas. Mas uma conclusão já parece inevitável: existe um teto eleitoral que todos precisarão romper se quiserem alcançar uma vitória confortável. Até aqui, a fotografia da sucessão revela uma eleição aberta, competitiva e, ao que tudo indica, uma das mais disputadas da história recente de Rondônia. Não há favoritos, mas é possível intuir aquele com mais dificuldades para ampliar no segundo turno.
OS PESOS
Outro aspecto que merece acompanhamento permanente é o impacto das alianças políticas sobre o desempenho dos candidatos. Até aqui, o apoio do governador Marcos Rocha à candidatura de Adaílton Fúria não produziu uma transferência perceptível do desgaste da atual administração estadual para o ex-prefeito de Cacoal. Isso, porém, não significa que esse fenômeno esteja descartado. Ao contrário, trata-se de um movimento que deverá ser monitorado ao longo da campanha.
RESPONSABILIDADE
Os problemas acumulados nas áreas da saúde e da segurança pública tornaram-se mais visíveis aos olhos do eleitor. Embora Fúria não tenha responsabilidade direta por essas deficiências, o fato de carregar o apoio oficial do governo poderá obrigá-lo a responder por questões cuja origem não lhe pertence. É o preço político de receber um padrinho eleitoral: herda-se não apenas a estrutura e o prestígio, mas também os ônus da gestão. A questão fiscal que os adversários insistem abordar está longe das prioridades do eleitor em razão do tecnicismo. Isto não impacta a campanha.
APOIOS
No campo adversário, outro teste importante será medir a capacidade do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, de transferir sua popularidade para Marcos Rogério. A capital concentra parcela significativa do eleitorado, e o desempenho do senador nesse colégio eleitoral poderá ser decisivo para consolidar sua liderança ou ampliar sua vantagem rumo ao segundo turno. Apoio político nem sempre se converte automaticamente em votos, e essa será uma das variáveis mais observadas pelos estrategistas.
REPLICANDO
Já Hildon Chaves enfrenta um desafio distinto. Sua campanha dependerá muito mais da própria capacidade de apresentar seu legado administrativo do que da força de alianças. Ex-prefeito de Porto Velho por dois mandatos, Hildon precisará convencer o eleitor do interior de que a gestão eficiente atribuída à capital pode ser replicada em todo o Estado.
BARREIRA
O maior obstáculo do ex-prefeito da capital continua sendo o desconhecimento fora dos grandes centros urbanos. Se conseguir romper essa barreira, poderá tornar a disputa ainda mais competitiva. Caso contrário, permanecerá limitado a um desempenho abaixo do potencial que muitos analistas lhe atribuem. E precisa melhorar o desempenho na capital onde é conhecido pelas obras entregues. No momento, a popularidade de Léo Moraes e adversário visceral, impacta no desempenho. A eleição, agora, esta na rua com as convenções partidárias.