quinta-feira, 6 de agosto de 2026

CFMoto Ibex 450 é anunciada com preços que chegam a custar R$ 10 mil a mais que o oficial em classificados

 Com reservas oficiais esgotadas em poucos minutos, a CFMoto Ibex 450 passou a ser anunciada em revendas independentes e plataformas de classificados por valores que superam bastante o preço oficial sugerido.

 dificuldade para encontrar uma CFMoto Ibex 450 disponível pelo site oficial da marca abriu espaço para um fenômeno comum em lançamentos de grande procura: a comercialização por revendedores independentes com preços superiores ao valor sugerido pela fabricante.

CFMoto Ibex 450 - Divulgação
CFMoto Ibex 450 – Divulgação

O mercado, independentemente do produto, é um ecossistema que parece ter vida e vontade própria. Alguns anúncios da motocicleta em diferentes plataformas de classificados e redes sociais, foram encontrados com diferenças de preço que variam de cerca de R$ 1 mil até R$ 10 mil sobre o valor oficial.

A maior parte das ofertas envolve a Ibex 450, considerada atualmente o modelo em duas rodas mais procurado da CFMoto no Brasil, embora outros produtos da fabricante também já possam ser encontrados nesse mercado paralelo.

CFMoto Ibex 450 - Divulgação

CFMoto Ibex 450 – Divulgação

Lotes se esgotam rapidamente

Desde o lançamento da Ibex 450, a CFMoto adotou um sistema de reservas online para distribuir os lotes disponíveis entre sua rede de concessionárias.

Esse cenário favoreceu o surgimento de anúncios feitos por revendedores independentes, que oferecem unidades já disponíveis mediante pagamento de um valor superior ao preço sugerido pela marca.

Sobre os classificados

Os anúncios foram identificados tanto em cidades onde a CFMoto ainda não possui operação oficial quanto em municípios já atendidos por concessionárias da marca.

As ofertas aparecem em plataformas especializadas de compra e venda de veículos, além de redes sociais utilizadas por revendedores multimarcas.

O preço público sugerido da CFMoto Ibex 450 permanece em R$ 35.990.

Já a consulta à Tabela Fipe, realizada em agosto de 2026, indica preço médio de R$ 35.967, valor praticamente alinhado ao praticado pela fabricante e inferior ao encontrado em parte dos classificados.

450 CL-C em nova cor - Divulgação
450 CL-C em nova cor – Divulgação

Além da Ibex 450, também foram encontrados anúncios de outros modelos da marca, como a 450 CL-C e a Ibex 700. A quantidade de ofertas, no entanto, é significativamente menor.

CFMoto orienta consumidores

Em comunicado, a CFMoto afirmou que o sistema de reservas foi criado para permitir que os clientes adquiram a motocicleta pelo preço oficial, reduzindo distorções de mercado e oferecendo mais previsibilidade durante o processo de compra.

A empresa também destaca que a compra pela rede autorizada garante ao consumidor a experiência de receber uma motocicleta zero-quilômetro diretamente da concessionária, com entrega técnica, orientações de uso e todo o histórico do veículo desde a saída da fábrica.

Urano Carvalho - Head de Motocicletas CFMOTO Brasil - Divulgação
Urano Carvalho – Head de Motocicletas CFMOTO Brasil – Divulgação

Segundo a fabricante, optar pelos canais oficiais contribui para um mercado mais transparente e equilibrado, preservando a política de preços adotada pela marca. A íntegra do posicionamento, assinada por Urano Carvalho, Head de Motocicletas CFMOTO Brasil, pode ser conferida abaixo.

COMUNICADO OFICIAL

“Entendemos perfeitamente a expectativa de quem deseja ter uma IBEX 450 o quanto antes. Quando um lançamento desperta tanta procura, é natural que algumas pessoas estejam dispostas a pagar mais para antecipar essa experiência. Mas, ao optar pelo mercado paralelo, o consumidor acaba abrindo mão de aspectos que são muito especiais na jornada de compra de uma motocicleta nova.

Existe um valor único em ser o primeiro proprietário, em retirar a moto da concessionária, fazer os primeiros quilômetros, realizar o amaciamento corretamente e construir sua própria história com ela desde o primeiro momento. Também existe a tranquilidade de saber exatamente como aquela motocicleta saiu da fábrica até a entrega técnica em nossas concessionárias, respeitando todos os cuidados recomendados para uma moto nova.

Foi justamente pensando em proporcionar essa experiência da forma mais justa possível que a CFMOTO adotou o sistema de reservas. Nosso objetivo sempre foi garantir que os clientes tivessem acesso ao produto pelo preço oficial da marca, evitando distorções de mercado, reduzindo filas de espera e dando mais previsibilidade para quem realmente deseja adquirir a motocicleta.

Acreditamos que produtos de padrão premium podem, sim, ser comercializados a preços acessíveis e competitivos. Quando os consumidores prestigiam os canais oficiais e os preços praticados pela marca, ajudam a fortalecer um mercado mais transparente, equilibrado e sustentável, beneficiando não apenas quem compra hoje, mas todos os apaixonados por motociclismo que desejam ter acesso a produtos de alta qualidade por valores justos.”

Urano Carvalho, Head de Motocicletas CFMOTO Brasil

Fonte: 

Junior Rodrigues
Junior Rodrigueshttps://tudodemotos.com.br
Jornalista, web designer, desenvolvedor web e editor. Já foi radialista, publicitário e até metalúrgico metaleiro. O gosto por motores virou profissão, e hoje coloca essa vivência a serviço do mundo automotivo — sobre duas ou quatro rodas.



MOMENTO JURÍDICO - Certidão de Tempo de Contribuição: conceito, finalidade e importância para a contagem recíproca

 


1. Introdução

A trajetória profissional de um segurado nem sempre permanece vinculada a um único regime previdenciário.

É comum que uma pessoa trabalhe durante determinado período na iniciativa privada, vinculada ao Regime Geral de Previdência Social, e posteriormente ingresse em cargo público submetido a Regime Próprio de Previdência Social.

Também é possível que o servidor deixe o serviço público e retorne ao RGPS ou passe a ocupar cargo vinculado a outro regime próprio.

Nessas hipóteses, surge a necessidade de aproveitar, para fins previdenciários, períodos contributivos reconhecidos por regimes distintos.

A Certidão de Tempo de Contribuição desempenha papel central nesse procedimento.

2. O que é a Certidão de Tempo de Contribuição?

A Certidão de Tempo de Contribuição, conhecida pela sigla CTC, é o documento emitido pelo regime previdenciário de origem destinado a certificar períodos de contribuição para que possam ser aproveitados em outro regime.

Em termos práticos, a CTC formaliza o tempo contributivo reconhecido pelo regime em que as contribuições foram originalmente realizadas.

Ela não concede, por si só, uma aposentadoria.

Sua função é possibilitar que determinado período seja apresentado ao regime de destino, que analisará sua averbação e eventual utilização para a concessão de benefício previdenciário.

Portanto, é importante distinguir três momentos:

  1. o reconhecimento do período pelo regime de origem;
  2. a emissão da CTC;
  3. a análise e a averbação pelo regime de destino.

A existência da certidão não significa, automaticamente, que todo o período nela indicado produzirá os efeitos pretendidos no outro regime.

3. Contagem recíproca entre regimes

O fundamento constitucional da CTC está relacionado à contagem recíproca.

O § 9º do art. 201 da Constituição Federal assegura, para fins de aposentadoria, a contagem recíproca do tempo de contribuição entre o Regime Geral de Previdência Social e os regimes próprios, bem como destes entre si, com a correspondente compensação financeira.

A contagem recíproca permite que a mobilidade profissional do trabalhador não resulte, necessariamente, na perda dos períodos regularmente contribuídos.

Assim, quem exerceu atividade vinculada ao RGPS e posteriormente ingressou em cargo efetivo poderá, observados os requisitos legais, utilizar o tempo anterior no RPPS.

Da mesma forma, o tempo prestado sob vinculação a um regime próprio poderá ser certificado para utilização no RGPS ou em outro RPPS.

4. Disciplina legal

Os arts. 94 a 99 da Lei nº 8.213/1991 disciplinam a contagem recíproca do tempo de contribuição para os segurados vinculados a regimes distintos.

A legislação admite a soma dos períodos, mas estabelece limitações importantes, entre elas a impossibilidade de utilização do mesmo tempo para a concessão de benefícios em regimes diferentes.

Também existem regras específicas para períodos concomitantes, tempo especial, contribuições inferiores ao mínimo, atividade rural e outras situações que exigem análise individualizada.

No âmbito dos regimes próprios, a Portaria MTP nº 1.467/2022 disciplina parâmetros relacionados à emissão, ao registro e à utilização da CTC, integrando a regulamentação geral aplicável aos RPPS dos entes federativos.

No âmbito do INSS, os procedimentos relacionados ao reconhecimento do tempo, à emissão da certidão e à documentação correspondente são regulados pela Instrução Normativa PRES/INSS nº 128/2022 e por atos complementares, que vêm sofrendo alterações ao longo do tempo.

5. CTC não se confunde com CNIS

Uma dúvida recorrente consiste em saber se o Cadastro Nacional de Informações Sociais substitui a CTC.

A resposta é negativa.

O CNIS é uma base de dados que reúne informações relacionadas aos vínculos, às remunerações e às contribuições previdenciárias.

Ele possui enorme importância para a comprovação e a conferência do histórico contributivo, mas não desempenha a mesma função jurídica da CTC.

Para o aproveitamento, em outro regime, do tempo reconhecido pelo regime de origem, exige-se a documentação própria prevista na legislação.

O CNIS pode servir como elemento de análise, conferência e eventual correção, mas não deve ser tratado como sinônimo de certidão.

6. CTC, DTC e certidão funcional

Também é necessário diferenciar a CTC de outros documentos utilizados na prática administrativa.

A Declaração de Tempo de Contribuição pode ser empregada nas hipóteses e nos procedimentos previstos na regulamentação, mas não deve ser automaticamente equiparada à CTC.

A certidão funcional, por sua vez, costuma registrar informações relacionadas à vida funcional do servidor, como datas de ingresso, afastamentos, cargos e tempo de exercício.

Embora seja relevante para instruir a análise previdenciária, ela não substitui necessariamente a certidão expedida pelo regime competente.

O advogado deve identificar:

  • quem emitiu o documento;
  • qual período foi reconhecido;
  • a qual regime as contribuições estavam vinculadas;
  • qual a finalidade declarada;
  • e se foram observadas as formalidades exigidas.

7. Quem pode requerer a CTC?

Em regra, a emissão da CTC está relacionada à necessidade de levar o tempo de contribuição de um regime previdenciário para outro.

A análise, entretanto, não deve ser feita apenas com base na condição atual do interessado.

É necessário verificar:

  • se existe vínculo ativo com o regime;
  • se houve desligamento do cargo;
  • se o período já foi averbado ou utilizado;
  • se existem cargos acumuláveis;
  • se a certidão será destinada a um ou mais regimes;
  • se há pedido formulado por representante, dependente ou sucessor;
  • e quais regras específicas são aplicáveis ao ente emissor.

A Portaria MTP nº 1.467/2022 apresenta regras próprias para a emissão de CTC pelos RPPS e para o registro dos períodos, inclusive em situações que demandam tratamento específico.

Por isso, respostas absolutas como “todo servidor pode pedir CTC” ou “servidor ativo nunca pode pedir” devem ser evitadas sem a análise da hipótese concreta.

8. Vedação à dupla utilização do tempo

Um dos principais cuidados relacionados à CTC é impedir que o mesmo período contributivo seja utilizado mais de uma vez.

A lógica da contagem recíproca é permitir a transferência previdenciária do tempo, acompanhada da compensação financeira entre os regimes.

Ela não autoriza que o segurado obtenha vantagens previdenciárias duplicadas com base no mesmo período.

A administração previdenciária deve verificar se o tempo:

  • já foi utilizado em benefício;
  • já foi averbado;
  • foi certificado anteriormente;
  • está sendo apresentado a mais de um regime;
  • ou integra período concomitante que exija tratamento próprio.

A impossibilidade de dupla utilização permanece como ponto relevante na interpretação administrativa atual.

9. A CTC e o planejamento previdenciário

A emissão de uma CTC não deve ser vista apenas como ato burocrático.

Antes de orientar o cliente, o advogado deve compreender:

  • a trajetória contributiva completa;
  • os regimes de origem e de destino;
  • a finalidade da certidão;
  • os períodos que serão certificados;
  • as possíveis concomitâncias;
  • a repercussão do tempo na aposentadoria pretendida;
  • e a existência de alternativas previdenciárias.

Uma averbação realizada sem planejamento pode restringir escolhas futuras ou exigir procedimentos posteriores de revisão, cancelamento ou retificação.

Por essa razão, a análise da CTC deve integrar o planejamento previdenciário, e não ser realizada de forma isolada.

10. Conclusão

A Certidão de Tempo de Contribuição é o instrumento que viabiliza o aproveitamento do tempo contributivo entre regimes previdenciários distintos.

Sua importância decorre não apenas da função documental, mas dos efeitos que pode produzir na aposentadoria do segurado.

Compreender a CTC exige diferenciar:

  • regime de origem;
  • regime de destino;
  • emissão;
  • averbação;
  • contagem recíproca;
  • compensação financeira;
  • e utilização do período.

Para o advogado previdenciarista, o principal cuidado é evitar orientações automáticas.

Antes de pedir, emitir ou averbar uma certidão, é indispensável conhecer o histórico contributivo e os objetivos previdenciários do cliente.



Fonte: Isis Carvalho| Advogada Especialista em RPPS / www.jusbrasil.com.br





ROBSON OLIVEIRA - Resenha Política

 CONVENÇÃO

A convenção estadual do PSD, realizada no último sábado, em Porto Velho, consolidou a candidatura de Adailton Fúria ao Governo de Rondônia e produziu, até aqui, uma das maiores demonstrações de mobilização política desta pré-campanha. A casa de eventos simplesmente ficou pequena para acomodar a multidão formada por militantes, simpatizantes, candidatos proporcionais, lideranças e apoiadores vindos de diversas regiões do Estado.
IMPACTO
Como era previsível, adversários tentaram minimizar o impacto da convenção, sustentando que boa parte do público seria formada por ocupantes de cargos comissionados. Faz parte do roteiro de toda disputa eleitoral: quando um lado reúne multidões, o outro procura desqualificar a plateia. É a chiadeira e o desdém típicos do jogo político.
LOTAÇÃO
O fato concreto, contudo, é que milhares de pessoas, ocupando cargos públicos ou não, lotaram o espaço e ovacionaram o candidato do PSD, num ambiente de entusiasmo que dificilmente pode ser ignorado por quem acompanha a sucessão estadual.
ALVO
A maior surpresa da noite ficou por conta da presença do governador Marcos Rocha. Alvo de críticas vindas de diferentes setores políticos ao longo de sua administração, Rocha subiu ao palco e declarou apoio à candidatura de Adailton Fúria, movimento que imediatamente passou a ocupar o centro das conversas políticas.
CONTINUISMO
Fúria tratou de afastar qualquer interpretação de que o apoio significaria um compromisso com a continuidade do atual governo. Disse receber de forma respeitosa toda manifestação de apoio, mas fez questão de reafirmar sua independência política. Embora na política cada vez mais você explica mais complica e a melhor tática é ignorar com o monitoramento das pesquisas. Elas que devem ser o guia interno da eleição.
CAPACIDADE
A convenção do PSD termina deixando um recado político claro: independentemente das críticas ou da tentativa dos adversários de reduzir seu significado, Adailton Fúria demonstrou capacidade de mobilização, reuniu uma expressiva plateia e saiu do evento com a candidatura fortalecida e no centro do debate eleitoral. O resto de lorota.
ANIMAÇÃO
Depois da demonstração de força do PSD, foi a vez de União Brasil e PP realizarem sua convenção. Sem a multidão vista em outros eventos, mas com militância mobilizada e um ambiente claramente favorável aos candidatos, o ato político lotou dois espaços do ginásio da UNOPAR e homologou as candidaturas de Hildon Chaves ao Governo de Rondônia e de Mariana Carvalho e Silvia Cristina ao Senado, além dos postulantes aos cargos proporcionais.
PORTFÓLIO
Se alguém esperava um discurso inflamado apenas contra adversários, Hildon preferiu seguir outro roteiro. Voltou a listar as obras realizadas durante seus dois mandatos à frente da Prefeitura de Porto Velho, relembrou as dificuldades encontradas ao assumir uma administração combalida e usou a própria experiência como cartão de visitas para convencer o eleitor de que está preparado para governar Rondônia.
EXPERIÊNCIA
O ex-prefeito também direcionou críticas à situação fiscal do Estado. Sem entrar em ataques pessoais, defendeu que o próximo governador precisará reunir capacidade administrativa e experiência para conduzir uma gestão compatível com as expectativas dos rondonienses. A mensagem foi clara: campanha se vence com discurso, mas governo se faz com gestão.
PROMESSA
Ao que tudo indica, esse será o principal eixo de sua estratégia eleitoral. Em vez de promessas mirabolantes, Hildon pretende vender experiência administrativa, lembrando que conseguiu reorganizar Porto Velho e entregar obras estruturantes. Como exemplo, citou a construção da nova rodoviária da capital, concluída em apenas um ano, e prometeu repetir a fórmula com a construção do novo HEURO, projeto que apresentou como uma de suas prioridades caso seja eleito.
MOEDA
Bem avaliado ao encerrar o mandato na Prefeitura, Hildon demonstrou confiança no resultado das urnas e afirmou que, nas próximas semanas, apresentará de forma detalhada seu plano de governo. A campanha começa a ganhar contornos mais nítidos: enquanto alguns apostam no discurso da renovação, o candidato de União Brasil e PP escolheu a experiência como seu principal ativo político. Agora caberá ao eleitor decidir se currículo continua sendo moeda forte numa eleição cada vez mais disputada.
LIMINARES
Antes vistas como improváveis, as duas liminares obtidas por Acir Gurgacz representam, sem dúvida, um alívio em uma longa travessia de derrotas judiciais. Primeiro veio a suspensão dos efeitos da condenação que lhe devolveu, provisoriamente, a elegibilidade.
TESE
Agora, uma nova decisão reforça esse entendimento ao reconhecer a plausibilidade da tese de nulidade da condenação por possível incompetência do STF para julgá-lo, já que os fatos ocorreram antes do mandato de senador e sem relação com a função parlamentar.
PROVISORIEDADE
É, porém, essencial separar o aspecto jurídico do político. As duas decisões são liminares, concedidas em caráter provisório, e não representam julgamento definitivo do mérito da revisão criminal. A condenação não foi anulada, nem houve absolvição. O que existe é a suspensão temporária de seus efeitos até que a Corte decida, em definitivo, se houve ou não nulidade no processo.
INSEGURANÇA
No plano judicial, Acir conquistou duas vitórias importantes, mas insuficientes para afastar a principal sombra sobre sua candidatura: a insegurança jurídica. Adversários certamente explorarão, à exaustão, a narrativa de que o eleitor pode votar em um candidato que, caso eleito, ainda corre o risco de perder o mandato se a revisão criminal for rejeitada. Em política, percepção muitas vezes pesa tanto quanto a realidade jurídica.
BRECHA
Depois de anos acumulando derrotas em sucessivos recursos, Acir finalmente encontrou uma brecha favorável no Supremo. Resta saber se essas vitórias cautelares serão o início de uma reviravolta ou apenas um breve intervalo antes da palavra final da Justiça. Até lá, sua campanha seguirá caminhando entre a esperança produzida pelas liminares e a incerteza de um julgamento que ainda está por vir. E este filme todos conhecem seu The End.
VÍTIMA
Enquanto muitos pré-candidatos transformam a disputa eleitoral em um festival de ataques e provocações, a deputada federal Sílvia Cristina segue por um caminho diferente. Pré-candidata ao Senado, percorre Rondônia com uma campanha leve, propositiva e colhendo os frutos de um trabalho construído ao longo dos últimos anos junto à maioria das administrações municipais.
DEDICAÇÃO
Sua trajetória política foi forjada na militância em defesa da saúde pública, área que continua sendo a maior angústia dos rondonienses. Em um estado onde hospitais vivem sob pressão, faltam especialistas e o atendimento ainda deixa muito a desejar para quem mais precisa, Sílvia conseguiu transformar essa bandeira em sua principal identidade política. Independentemente das preferências partidárias, até adversários costumam reconhecer a seriedade e a dedicação com que conduz esse trabalho.
DESQUALIFICAR
Talvez seja exatamente esse desempenho que explique o incômodo que sua candidatura provoca. À medida que cresce nas pesquisas e amplia sua presença no interior, multiplicam-se também os ataques pessoais, muitos deles sem qualquer relação com o debate de ideias ou de propostas. É o lado mais degradante da política: quando faltam argumentos, sobra a tentativa de desqualificar o adversário.
JOIO
Em vez de discutir projetos para Rondônia, há quem prefira investir na agressão, na insinuação e na desinformação. O eleitor, contudo, costuma separar o joio do trigo e sabe distinguir quem apresenta resultados de quem vive apenas da desconstrução alheia.
CONFIANÇA
Sílvia Cristina poderia ter escolhido o caminho mais confortável da reeleição à Câmara Federal, onde desponta como uma das parlamentares mais atuantes da bancada de Rondônia. Preferiu, entretanto, enfrentar uma das disputas mais difíceis da política brasileira: uma vaga ao Senado. É uma aposta de alto risco, mas que demonstra confiança no capital político acumulado ao longo dos mandatos.
FOCO
Os levantamentos eleitorais divulgados até aqui mostram que sua candidatura larga em posição competitiva. Ainda há uma longa estrada até as urnas e muita água passará por baixo da ponte. Justamente por isso, sua campanha precisará manter o foco nas propostas e redobrar a atenção diante do ambiente tóxico que costuma contaminar as disputas majoritárias.
SINAIS
Na política, o sucesso quase sempre desperta admiração, mas também atrai ressentimentos. E, quando uma candidatura começa a incomodar, é sinal de que deixou de ser apenas uma participante da corrida para se tornar uma competidora real.
A VIDA COMO ELA É
Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Na política, a única unanimidade inteligente é outra: ninguém acredita que alguém saque R$ 2 milhões em dinheiro vivo para comprar pão, pagar o açougue ou quitar a prestação da geladeira. Até porque, se existisse limite de PIX para carregar mala de dinheiro, muita gente estaria protestando contra o Banco Central.
FORTUNA
A apreensão da fortuna pela Polícia Federal, logo após o saque numa agência bancária de Porto Velho, transformou a política rondoniense numa mistura de romance policial com comédia de costumes.
CAMPANA
A PF, ao que tudo indica, não foi passear na porta do banco. Esperou pacientemente o peixe morder a isca antes de puxar a linha. Quando veio o bote, dois seguranças resolveram homenagear o patrono das corridas de cem metros rasos e desapareceram do mapa numa velocidade que faria Usain Bolt pedir revisão do cronômetro.
ESPECULAÇÃO
Na política, porém, ninguém corre mais do que a fofoca. Antes mesmo que a tinta do auto de apreensão secasse, surgiram especialistas em malas de dinheiro, doutores em caixa de papelão e pós-graduados em adivinhação eleitoral. Nos bastidores, cada grupo aponta o dedo para o adversário com a segurança de quem viu tudo da janela, embora a maioria estivesse apenas olhando o WhatsApp.
JUSTIFICATIVA
O dinheiro, segundo a justificativa apresentada, destinava-se ao pagamento, em espécie, de uma obra. Perfeitamente possível. O curioso é que a obra continua mais misteriosa que o Santo Graal. Não se sabe qual é, onde fica, quem contratou, quem receberia nem por que precisava de uma pequena montanha de cédulas. Talvez a construção mais avançada, até agora, seja mesmo a da desconfiança.
INVESTIGANDO
É importante dizer - porque o Estado de Direito não pode ser substituído pelo tribunal das redes sociais - que não existe, até este momento, qualquer informação oficial sobre a quem pertence o dinheiro nem sobre eventual destinação eleitoral. As investigações seguem em curso, e isso separa o jornalismo sério da fábrica de boatos.
IMAGINAÇÃO
Mas convenhamos: eleição sem dinheiro suspeito é como romance de Machado de Assis sem ironia. Quando aparecem R$ 2 milhões em espécie, a imaginação da República entra em campanha antes dos candidatos. Os adversários começam a enxergar malas onde há mochilas, cofres onde há armários e conspiradores até na fila do cafezinho.
GRUPOS
Poucos grupos políticos ou econômicos em Rondônia possuem musculatura financeira capaz de movimentar uma quantia dessa envergadura em dinheiro vivo. É justamente por isso que a apreensão provocou um efeito colateral previsível: uma epidemia de insônia. Tem gente que nunca viu a mala, não conhece o dono, ignora a origem do dinheiro, mas acordou de madrugada para conferir se seu nome ainda não apareceu numa conversa de bastidor.
ESPETÁCULO
A Polícia Federal, por sua vez, faz o que dela se espera: investiga. Os políticos fazem o que também se espera deles: especulam. E o eleitor assiste ao espetáculo tentando descobrir quem está falando a verdade e quem apenas tenta empurrar a mala para o porta-malas do adversário.
SUSPENSE
Como ensinava Shakespeare, "há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia". Em Rondônia, às vezes, há também alguns milhões entre o banco e o destino final. E descobrir para onde essa fortuna estava realmente viajando talvez seja o primeiro grande suspense desta temporada eleitoral.