terça-feira, 13 de outubro de 2026

ROBSON OLIVEIRA - Resenha Política

 ENTREVISTA

Por uma hora ininterrupta, o governador eleito de Rondônia, Marcos Rogério, conversou com este cabeça chata no podcast Resenha Política sobre os primeiros passos de sua administração. A entrevista permitiu conhecer melhor as prioridades de quem venceu as urnas com a promessa de imprimir uma nova dinâmica ao governo estadual. Agora, entre o discurso eleitoral e a realidade administrativa, começa a contagem regressiva para a hora da verdade.
DESTRAVAR
Marcos Rogério pretende começar com um comitê de crise para enfrentar os dois setores mais estrangulados da administração: saúde e segurança pública. A proposta é destravar estruturas que acumulam problemas e dar respostas mais rápidas à população. O governador eleito promete fazer a diferença com uma equipe predominantemente técnica, capaz de transformar decisões políticas em resultados concretos. A intenção é compreensível. Afinal, o cidadão já está cansado de governos que administram discursos com a eficiência que falta aos serviços públicos.
TESOURA
O novo governador também anunciou que pretende revisar contratos e eliminar despesas excessivas que eventualmente onerem os cofres estaduais. Fez, contudo, questão de afastar a ideia de uma caça às bruxas. Segundo ele, o objetivo é racionalizar a aplicação dos recursos públicos e elevar a eficiência da máquina administrativa, não perseguir adversários ou promover expurgos por conveniência política. A promessa será testada quando a revisão alcançar contratos, interesses e estruturas que nem sempre recebem bem a visita da tesoura.
PROMESSA
Na saúde, Marcos Rogério reafirmou dois compromissos importantes de campanha: construir, em quatro anos, um hospital na capital e uma unidade de trauma em Ji-Paraná. Também defendeu um modelo híbrido de gestão, com participação pública e privada, mas ressaltou que a iniciativa privada deve atuar de maneira complementar, sem substituir a responsabilidade do Estado. A distinção é relevante, sobretudo num setor em que a palavra eficiência costuma aparecer com facilidade nas apresentações de PowerPoint e desaparecer diante das filas, da falta de atendimento e da demora por procedimentos.
DIREITOS
Em relação aos servidores públicos, o governador eleito, embora se identifique com posições liberais, declarou respeito às categorias e descartou perseguições durante sua gestão. É uma sinalização necessária. O funcionalismo não pode ser tratado como inimigo de quem chega ao poder, assim como estabilidade e direitos não devem servir de escudo para eventuais ineficiências. Governar exige equilíbrio, não intimidação.
RELAÇÃO
Outro compromisso reiterado foi a pavimentação da ligação de União Bandeirantes à BR-364, obra que Marcos Rogério associou ao entendimento firmado com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes. O governador eleito agradeceu o empenho do prefeito em sua campanha e reafirmou a disposição de manter a parceria administrativa. A aliança política, agora, precisará demonstrar utilidade fora do período eleitoral. No entanto, pela disposição do governador será uma relação duradoura.
PREVIDÊNCIA
A previdência estadual também entrou na conversa. Marcos Rogério manifestou preocupação com a situação do sistema e defendeu a união dos poderes para garantir o pagamento das aposentadorias dos servidores rondonienses. É um tema que não admite maquiagem contábil nem empurrões para o governo seguinte. O problema previdenciário exige diagnóstico, transparência e decisões responsáveis antes que a conta se torne ainda mais pesada. Manifestou preocupação com uma PEC que a forma da distribuição entre poderes do excesso da arrecadação que pode inviabilizar a previdência estadual.  
INDEPENDENTES
Sobre a presidência da Assembleia Legislativa, o governador eleito afirmou que não pretende interferir na escolha, por considerar que isso representaria uma intromissão de um poder sobre outro. Ao mesmo tempo, confirmou que vem conversando com deputados eleitos de seu entorno político, mais de 14, sobre a possibilidade de escolha de um presidente alinhado aos interesses do Estado e da população rondoniense.
TRANSIÇÃO
Marcos Rogério confirmou ainda que anunciará, na próxima quinta-feira, os nomes que integrarão a equipe de transição. Segundo ele, o grupo será formado exclusivamente por técnicos, encarregados de levantar informações e apresentar um diagnóstico completo da administração estadual. A partir desse relatório, serão definidas as diretrizes dos primeiros 120 dias de governo.
NOMES
O governador eleito evitou antecipar os integrantes da equipe. A coluna, entretanto, apurou que o deputado federal eleito Jaime Gazola recebeu convite, assim como Cristiano Pereira, secretário municipal de Saúde de Ji-Paraná. Os nomes ainda precisam ser confirmados oficialmente. Veremos se serão confirmados ou são meras especulações.
OTIMISMO
A transição será o primeiro teste concreto da disposição de Marcos Rogério de governar com base em dados, critérios técnicos e planejamento. Antes de anunciar grandes mudanças, será preciso saber exatamente o que receberá, quanto poderá gastar e quais problemas exigirão intervenção imediata. A entrevista ao Resenha Política deixou claras as intenções do governador eleito. Há promessas relevantes, sinalizações de responsabilidade fiscal e disposição declarada para enfrentar gargalos antigos. Mas a administração pública não costuma se impressionar com boas intenções. O que começa como promessa precisa sobreviver ao orçamento, à burocracia, às pressões políticas e aos interesses instalados. Embora o governador seja otimista.
GOVERNAR
Marcos Rogério tem quatro anos para provar que a vitória eleitoral não foi apenas uma mudança de comando, mas o início de uma transformação administrativa. A população não lhe concedeu um mandato para explicar por que os problemas existem. Concedeu-lhe a oportunidade de resolvê-los. E a disposição do governador, conforme discorre em toda entrevista, é fazer um governo técnico e eficiente que possa fazer as entregas que a população almeja.
CONGRESSO
A leitura das urnas para a Câmara Federal em Rondônia produziu algumas surpresas que merecem ser registradas sem a paixão das torcidas e com a frieza que a política exige depois que os votos são contados. Entre elas, duas chamaram particularmente minha atenção: as reeleições do coronel Chrisóstomo e do delegado Thiago Flores.
SURPRESAS
Ambos fizeram campanhas menos barulhentas do que boa parte dos concorrentes. Não foram protagonistas permanentes dos holofotes da capital, tampouco ocuparam o espaço midiático reservado aos candidatos que transformam cada aparição em espetáculo. Ainda assim, cresceram eleitoralmente em relação a 2022 e saíram das urnas com uma resposta bastante objetiva: foram aprovados pelo eleitor.
VEREDICTO
É preciso reconhecer. Este colunista não os colocava entre os favoritos para uma reeleição tão confortável. A urna, mais uma vez, mostrou que a política não se faz apenas de manchetes, pesquisas, redes sociais e palanques ruidosos. Há um eleitor silencioso que observa, compara e, quando chega a hora, deposita o voto onde bem entende. Chrisóstomo e Thiago Flores encontraram esse eleitor. As duas reeleições, portanto, merecem ser reconhecidas pelo resultado obtido e pelo desempenho eleitoral superior ao de 2022. Mais do que qualquer narrativa construída antes da votação, foi o eleitor quem deu o veredicto nas urnas.
DESCEPÇÃO
A surpresa negativa ficou por conta de Rafael Fera. Durante boa parte da campanha, pesquisas o apresentavam disputando as primeiras posições, em alguns momentos rivalizando diretamente com Lúcio Mosquini. Abertas as urnas, porém, o cenário desenhado por essas pesquisas não se confirmou. Fera encolheu e Mosquini terminou na primeira posição entre os candidatos à Câmara em Rondônia.
OBTUSO
E não foi uma primeira colocação qualquer. Mosquini alcançou a terceira maior votação proporcional para deputado federal no país. Um resultado dessa dimensão merece registro e reconhecimento, independentemente de preferências políticas. Há, inclusive, uma pequena ironia no episódio. Durante o podcast Resenha Política, este cabeça chata comentou uma pesquisa que colocava Fera na disputa pela primeira posição com Mosquini. O resultado da urna mostrou outra fotografia. A partir daquele comentário, alguém que decidiu transformar a divergência política em provocação passou a utilizar imagens do programa, sem autorização, para tentar distorcer a análise feita à época. Coisa de obtuso.
RESULTADO
É o velho método de recortar o passado para fabricar uma narrativa no presente. Só esqueceram de uma coisa: pesquisa é pesquisa, comentário é comentário e urna é urna. Depois que os votos são contados, não há edição de vídeo capaz de alterar o resultado. E, nesse caso, a realidade eleitoral falou mais alto do que qualquer montagem.
PARCERIA
Embora o serviço de emergência da Polícia Militar (190) e do Corpo de Bombeiros (193) terem ficado indisponíveis esta semana, devido defeito interno na subestação privada das corporações, a Energisa, ao saber do problema, e da importância  desses serviços para a população, prontamente executou a troca do transformador da corporação e emprestou um equipamento novo até que o antigo seja consertado. Com isto os serviços foram restabelecidos para atender a população. A parceria da empresa energia com os órgãos públicos é fundamental para que os serviçõs não sofram descontinuidade.

CONVITE - Doaçãoes de Lanches e Brinquedos para as Crianças da Comunidade Vila Princesa

 

Convidando os motociclistas de Rondônia a contribuir e participar de  um dia especial e feliz para as crianças da Vila Princesa, Porto Velho, sábado dia 17/10.

Local de encontro para partida: 

Point do motociclista as 16 hrs , venha participar e traga sua doação, brinquedos, doce ou alimentos, todos os MCs, MGs , moto casal e motociclistas estão convidados

                                                                                                         Marcão/ Motociclista


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Feliz Dia das Crianças / 12 de Outubro



Nossa Senhora Aparecida - 12 de Outubro

 


Há 300 anos, dia 12 de outubro...

Na manhã de 12 de outubro de 1717, três pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba, que escorria até à sua cidade. Eles tinham sido encarregados de trazer peixes para o banquete, que se realizaria no dia seguinte, na cidade de Guaratinguetá, por ocasião da visita do conde Assumar, Dom Pedro de Almeida Portugal, governante da capitania de São Paulo e Minas Gerais, durante uma viagem a Vila Rica. Os três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, pareciam não ter sorte naquela manhã: após várias tentativas infrutíferas, tinham quase desistido, quando João Alves tentou novamente. Ele jogou sua rede nas águas do rio e, lentamente, a puxou para cima. Havia pescado alguma coisa, mas não era peixe... parecia uma espécie de madeira.

Quando tirou da rede, o pedaço de madeira parecia fazer parte de uma estátua da Virgem Maria, infelizmente sem cabeça.

A pesca milagrosa

Ao lançar novamente a rede, esta vez João Alves encontrou nas malhas outro pedaço de madeira, de forma arredondada, que parecia precisamente a cabeça da mesma estátua: tentou ajuntar os dois pedaços e percebeu que se encaixavam perfeitamente. Como que atraído por um impulso, João Alves lançou, outra vez, a rede nas águas, mas ela tinha ficado tão pesada, que não conseguia tirá-la, por estar lotada de peixes. Então, seus companheiros lançaram também suas redes nas águas e a pesca daquele dia foi realmente abundante.

A veneração popular

No dia seguinte, os três pescadores juntaram os dois pedaços da estátua, limparam-nos dos detritos do rio e Filipe Pedroso a colocou na sua humilde casa. Em pouco tempo, a notícia da pesca milagrosa se difundiu pelas cidades vizinhas e, todas as noites, um grupo cada vez maior de simples pescadores começou a ir prestar homenagem à Virgem Maria e rezar o terço. Eles deram-lhe o nome de “Aparecida”, que apareceu. Com o passar do tempo, a multidão tornou-se tão numerosa que a casa do pescador não a podia conter mais. Por isso, foi construída um primeiro oratório e, depois, em 1737, uma Capela maior. Foram muitos os testemunhos de graças e milagres alcançados naquele pequeno santuário.

A nova igreja

Em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior - a atual Basílica Velha, - concluída em 1888 e a estátua foi transferida. Em 1904, a imagem foi coroada a pedido do Papa Pio X. Em 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor, sagrada em 1909. Em 1930, o Papa Pio XI a elevou a Basílica, declarando Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil.

O primeiro Papa no Santuário de Aparecida

Papa João Paulo II foi o primeiro Papa a visitar o Santuário de Aparecida, em julho de 1980. Durante a sua Peregrinação Apostólica, disse: “O que buscavam os antigos romeiros? O que buscam os peregrinos de hoje? Aquilo mesmo que buscavam no dia, mais ou menos remoto, do Batismo: a fé, e os meios de alimentá-la. Buscam os sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento eucarístico. E voltam revigorados e agradecidos à Senhora, Mãe de Deus e nossa”.

Fonte: www.vaticannews.com.br


Ponta do Lápis em Movimento

 






ROBSON OLIVEIRA - Resenha Política

 VOTAÇÃO

O número 22 atravessou o país de norte a sul, de leste a oeste. A exceção ficou por conta do Nordeste, onde Lula preservou sua principal fortaleza eleitoral. Flávio Bolsonaro e o PL, como se diz no popular, estouraram a boca do balão e terminaram o primeiro turno na frente. Os prognósticos anunciavam uma eleição polarizada, de diferenças mínimas, quase voto a voto. Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Uma diferença superior a dois pontos percentuais, suficiente para mudar o ambiente político, embora insuficiente para decidir a eleição. Uma vez que havia a expectativa de Lula vencer o primeiro turno.
ROBUSTEZ
Não existe eleição ganha antes da apuração final. O que existe são sinais, mapas e tendências. E o mapa produzido pelas urnas mostrou uma direita eleitoralmente robusta em boa parte do país, enquanto o Nordeste permaneceu como o grande território de resistência ao avanço do PL.
MÁXIMA
Rio de Janeiro e Minas Gerais merecem atenção especial. O Rio, berço político da família Bolsonaro, confirmou a força de Flávio. Força que catapultou o gonçalense  Douglas Ruas para primeira posição passando tranquilamente Eduardo Paes, o favorito.  Minas Gerais, velha senhora das eleições presidenciais e tradicionalmente tratada como uma espécie de termômetro nacional, também acompanhou o candidato do PL. Há uma máxima no jornalismo político de que quem ganha Minas ganha a eleição nacional. Máximas, evidentemente, não votam. Mas às vezes as urnas gostam de lhes emprestar alguma razão.
FADIGA
Há várias explicações para tentar decifrar o resultado. Há para todos os gostos. Custo de vida, segurança pública, desgaste político, polarização, avaliação do governo, rejeições acumuladas e a força própria do bolsonarismo compõem esse mosaico. A verdade é que o eleitor sinalizou algum grau de fadiga com Lula e seu governo não conseguiu transformar a promessa de pacificação nacional em realidade política. Ao contrário, a polarização continuou sendo alimentada dos dois lados e aprofundou uma divisão que já vinha atravessando a sociedade brasileira.
DIFICULDADE
Esta será, portanto, a campanha mais difícil para Lula ao Palácio do Planalto. A tendência desenhada pelas urnas aponta para uma tarefa hercúlea: reverter, em poucas semanas, uma diferença construída nacionalmente e recuperar territórios eleitorais que nesta primeira rodada escaparam ao petismo.
MIGRAÇÃO
Não se trata de uma eleição ganha para Flávio. Mas também seria ingenuidade imaginar que os dois candidatos começam o segundo turno exatamente do mesmo ponto. Lula ainda tem espaço para crescer, mas esse espaço não é infinito. Os votos dos demais concorrentes somaram pouco mais de 8% e, entre eles, existe uma parcela expressiva de eleitores identificados com posições conservadoras. Se essa migração ocorrer majoritariamente para Flávio, o candidato do PL poderá ser o mais aquinhoado na redistribuição desse espólio eleitoral. Ademais, sua votação no nordeste cresceu em relação ao pai.
COMPLEXIDADE
É aí que está uma das dificuldades de Lula. Para virar o jogo, precisará conquistar votos fora de sua zona tradicional de conforto e, ao mesmo tempo, impedir que o adversário transforme a votação dos demais candidatos em combustível para uma vantagem maior. A verdade nua e crua é que Flávio venceu o primeiro turno. E começa o segundo com uma vantagem concreta, com possibilidade de ampliar seus percentuais caso consiga atrair parte relevante dos votos que ficaram pelo caminho. A Lula tentar como última cartada mobilizar quem se absteve para que vá votar e votar nele. Tarefa de alta complexidade.
MILAGRES
Isso não significa eleição ganha. A história eleitoral brasileira é pródiga em lembrar que segundo turno é outra eleição, com outra lógica, outros movimentos e outros erros. Mas Flávio chega à segunda etapa carregando um patrimônio eleitoral que Lula terá de desmontar. Agora começa a campanha de verdade. Lula terá de convencer mais do que seus eleitores habituais. Flávio terá de manter a vantagem e capturar os votos dos nanicos. Vais ser uma campanha titãs, mas a tarefa de Lula inspira milagres.
FUTURO
A urna, como sempre, não lê biografia, não respeita torcida e muito menos obedece prognóstico. Ela simplesmente cobra a conta. O tom curricular dado por Lula na primeira entrevista revela que não há uma estratégia visando concreta para apresentar e vão tentar apontar para o passado para que ambos sejam comparados. O problema é que o eleitor olha para o futuro. Os petistas e oráculos de plantão da esquerda explicam tudo, inclusive o fracasso como fosse virtude. E são incapazes de analisar o cenário fazendo autocrítica. Parece que o errar seja algo simplório e que o eleitor entenderá os erros. É mais fácil desqualificar quem analisa dados reais com isenção  do que enxergar o que as urnas indicaram.
 
GOVERNADOR ELEITO
Marcos Rogério, do PL, venceu a eleição para governador de Rondônia de forma espetacular. Mais do que uma vitória em primeiro turno, o resultado representa uma mudança importante no mapa político do Estado: é a primeira vez que um candidato sem ocupar o cargo de governador consegue chegar ao Palácio Rio Madeira já na primeira rodada das urnas.
BAMBURANDO

E Marcos não chegou sozinho. Trouxe consigo os dois senadores mais votados e uma bancada federal robusta. O PL elegeu três deputados federais, entre eles Lúcio Mosquini, que ultrapassou a marca dos 150 mil votos, uma votação de tamanho quase extravagante para os padrões eleitorais de Rondônia. Foi voto suficiente, em outra matemática eleitoral, para eleger vários candidatos e ainda deixar sobra.

ONDA
A explicação não está apenas em Marcos Rogério. Há uma onda nacional que deu ao PL uma votação extraordinária e que encontrou em Rondônia um terreno particularmente fértil. O eleitor rondoniense repetiu, em boa medida, o comportamento das últimas eleições: votou majoritariamente em candidatos identificados com o bolsonarismo. O número 22 virou uma espécie de senha eleitoral.

MÉRITOS
Mas seria simplificar demais atribuir tudo à onda nacional. Marcos teve méritos próprios. Fez uma campanha estruturada, organizada e, sobretudo, leve. Foi diferente do candidato de quatro anos atrás, quando perdeu a eleição e saiu dela carregando também a fama de arrogante, marca que seus adversários fizeram questão de explorar durante esta campanha. O Marcos de 2026 parecia outro político.

POSTURA
Mais afável, mais atento, mais tranquilo e menos preocupado em demonstrar que sabia mais do que os adversários. Nos debates, confirmou a condição de bom orador. Mesmo quando foi acuado por perguntas sobre sua capacidade de manter o ritmo e a lucidez diante das responsabilidades do cargo, não perdeu o fio da meada. Em vez de comprar a provocação, voltou às propostas. Na política, às vezes, amadurecer é descobrir que nem toda provocação merece resposta.

ALIADO
Outro personagem importante dessa vitória foi Léo Moraes. O prefeito da capital, embora não estivesse na urna, esteve presente nela por procuração política. Empenhou-se de corpo e alma na campanha de Marcos Rogério e conseguiu uma façanha eleitoral particularmente significativa: reverter, em Porto Velho, uma diferença que parecia favorável ao ex-prefeito Hildon Chaves, seu adversário político. Léo foi além.

CAPITAL
Apoiou a candidatura do irmão, Paulo Moraes, que terminou entre os deputados estaduais mais votados, e também transferiu parte de seu capital político para as candidaturas de Jaime Gazola e Cristiane Lopes, ambos eleitos para a Câmara Federal. É um patrimônio político que não apareceu na urna com o nome de Léo, mas apareceu nos votos dos aliados.

COMBINAÇÃO
A vitória de Marcos, portanto, é resultado de uma combinação rara: a onda nacional do PL, a força do bolsonarismo em Rondônia, uma campanha mais madura do candidato e a operação política construída no Estado, especialmente na capital.

COMPANHEIRO
E há ainda um personagem que merece atenção nessa história: o vice-governador eleito, delegado Camargo. Muitos apostavam que a convivência entre dois políticos de personalidade forte produziria atritos. Até aqui, aconteceu o contrário. Camargo não foi um figurante na chapa. Teve protagonismo eleitoral e, durante a campanha, mostrou-se colaborativo com Marcos. No Vale do Jamari, região onde possui forte identificação política e eleitoral, a chapa do PL teve desempenho particularmente expressivo. Mais importante que isso será o papel que Camargo desempenhará no governo.

EXPERTISE
Sua experiência técnica em orçamento e segurança, acumulada na Assembleia Legislativa,  poderá ser útil na transição e, principalmente, na discussão do primeiro orçamento que Marcos Rogério terá para administrar o Estado. Governar começa quando acaba o discurso. E o orçamento é justamente o lugar onde a política descobre que promessa não cabe inteira dentro do caixa.

ATRITOS
Camargo poderá ser importante nesse processo, não apenas pelas atribuições que receberá formalmente, mas pela capacidade de ajudar na construção técnica do governo. Se conseguir manter a relação colaborativa que apresentou até aqui, poderá se tornar uma peça relevante da administração.

CAPACIDADE
Rondônia elegeu, portanto, um governador experiente na política, com passagem pelo Senado e conhecimento da máquina pública. A expectativa agora é que a experiência política se converta em capacidade administrativa. E é aqui que começa a parte mais difícil da história.

RETÓRICA
Durante a campanha, as promessas foram muitas. A partir de agora, elas deixam de ser retórica eleitoral e passam a ser cobrança. O eleitor que entregou a Marcos Rogério uma vitória tão larga não lhe concedeu apenas quatro anos de mandato. Entregou também uma lista de expectativas.

URGÊNCIA
Entre elas está o novo Hospital de Urgência de Porto Velho, promessa que ganhou eco durante a campanha e que certamente será cobrada desde os primeiros dias do governo. Saúde pública não espera inauguração de mandato. A fila continua existindo no dia seguinte à posse.

CHAVE
Marcos Rogério venceu de maneira retumbante. A onda 22 foi forte o suficiente para levar governador, senadores e deputados federais. Léo Moraes mostrou que possui capital eleitoral próprio. Camargo saiu da condição de vice para assumir uma posição potencialmente estratégica. Agora começa outra eleição, sem urna e sem santinho: a eleição diária pela entrega do governo. É nela que Marcos Rogério terá de provar que a grandeza da vitória não foi apenas eleitoral. Porque ganhar de forma espetacular é uma coisa. Governar à altura da expectativa que produziu é outra, bem mais difícil. A urna lhe deu a chave do Palácio. O tempo dirá o que ele fará com ela.
MARMITA
O governo quer gastar R$ 49,9 milhões em um ano com a comida dos presos de Porto Velho (Pregão 90646/2025). Em março eram R$ 36,8 milhões. Em junho, um adendo da própria SUPEL acrescentou 35,5% do valor. Comida de presídio também sente a inflação e as emendas orçamentárias chamam a atenção.
ABRIL
Dias antes da data marcada para a primeira disputa, a SEJUS revisou para cima os cinco contratos que já alimentam as unidades: R$ 25,2 milhões, publicados no Diário Oficial de 13 e 24 de abril. A licitação nasceu justificada pelo "desinteresse" da atual fornecedora em continuar. Desinteressada, mas com contrato reajustado. Vida de fornecedor do Estado tem dessas incongruências.
JANTAR
A própria SEJUS admite, por escrito, que o jantar do edital novo tem a mesma composição do atual. Pelos números que uma licitante levou ao governo, ele custa R$ 9,72 hoje e passa a R$ 14,72 no edital. Mesmo prato, 51% mais caro. Quem explica? Até agora, ninguém fez a conta no papel. Pode ser que a contra esteja certa, mas é preciso explicar como chegou ao cálculo.
PROJEÇÃO
Feita a multiplicação, a mesma licitante chega a R$ 12,9 milhões a mais por ano. É a conta de uma interessada, e o governo responde que o cardápio mudou: entrou fruta, entrou farinha, entrou a ceia. Pode ser. Mas fruta que custa milhões merece, no mínimo, planilha.
RASCUNHO
A SEJUS também reconheceu que publicou como Termo de Referência uma "minuta de trabalho", ou seja, um rascunho. Em licitação de quase R$ 50 milhões, o rascunho foi para o mundo e a sessão foi só remarcada.
SANFONA
O pregão já foi suspenso três vezes e reaberto duas, sempre a poucos dias da disputa. No Compras.gov.br, aparece hoje "compra suspensa", com sessão "sem prazo definido". Abre, fecha, abre de novo. Quem não tem pressa é porque não está pagando a conta.
INSTÂNCIAS
O caso está na 1ª Vara da Fazenda Pública, em ação popular. O Tribunal de Contas arquivou uma denúncia em abril, sem julgar o mérito, porque o certame estava suspenso. Suspenso ele continua, mas muito mais caro. Com objeto alterado e majorado. O Estado parece não estar sentindo o cheiro de algo estranho nessas marmitas. A ver.

Fonte: Jornalista Robson Oliveira / Porto Velho-RO