terça-feira, 21 de agosto de 2018

Robson Oliveira - RESENHA POLÍTICA

EFEITO COLATERAL – Caiu como uma bomba no Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores a intervenção feita pelo Diretório Nacional na convenção que aprovou uma coligação com o PDT, PSB e PP, e rifou a candidatura a senadora de Fátima Cleide. Com a intervenção, Fátima retoma a candidatura e obriga os companheiros desafetos do PT a romperem com a candidatura a governador de Acir Gurgacz para apoiar a de Pimenta de Rondônia (PSOL). Os efeitos colaterais desta bomba também foram sentidos pelos candidatos a deputados federais do PSB, PDT e PP, visto que muda o cenário traçado por eles (dirigentes partidários) em eleger três deputados federais nesta coligação.

REAÇÃO – Embora Fátima Cleide seja uma das mais longevas filiadas ao Partido dos Trabalhadores, com uma militância impecável, os companheiros da agremiação, liderados pelo ex-padre Ton e o ex-prefeito da capital Roberto Sobrinho, foram implacáveis na reação a sua (Fátima) pretensão em recuperar o mandato senatorial, dizendo com todas as letras que as chances de vitória são mínimas, ancorados supostamente em pesquisas internas de monitoramento das eleições.  Uma reação, para quem trabalha em campanha eleitoral, avexada e precipitada, haja vista que a campanha em si sequer começou.

UMBIGO – A direção petista de Rondônia, ligada umbilicalmente ao ex-padre Ton e ao deputado estadual Lazinho da Fetagro, avalia que a coligação com os candidatos proporcionais do PSOL não tem futuro eleitoral porque os nomes que compõem a nominata não conseguem alcançar o coeficiente eleitoral para deputado federal nem estadual, razão pela qual preteriram a postulação ao Senado Federal de Fátima Cleide para privilegiar os candidatos proporcionais, entre eles, o ex-padre Ton e o deputado Lazinho da Fetagro. Nesta hora, todos fazem as contas pensando tão somente nos próprios umbigos.

AUTOFAGIA – Quem conhece as entranhas petistas sabe que está armada uma guerra interna sem precedentes. Quando um petista abre a caixa de maldades contra outro é pior que inimigos históricos. O partido em Rondônia entrou num processo de autodestruição com reflexos que podem levar todas as candidaturas a naufragarem, inclusive a de Fátima Cleide. Mas, verdade seja dita, o ex-padre, quando optou em descartar a postulação senatorial da companheira, o fez pensando somente nele. Agora não pode reclamar da autofagia.

TRINCA – Com a decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração na ação penal que condenou o deputado federal Nilton Capixaba (PTB), a chance de registrar a candidatura à reeleição é zero, apesar da nota que emitiu à imprensa em sentido contrário. Na formação do TSE com a ministra Rosa Weber e os ministros Edson Fachin e Luís Barroso as chances de os candidatos fisgados na lei da ficha limpa registrarem as respectivas candidaturas são igualmente zero. Essa trinca de ministros em geral é suficiente para causar alvoroço a qualquer candidato com condenação em colegiado. Em particular a Nilton Capixaba.

 DÚVIDAS – Mesmo negando publicamente que não retira a candidatura para dar o lugar a outro nome, Acir Gurgacz termina sendo prejudicado por alguns companheiros de coligação, em particular do PSB, que insinuam diariamente em surdina que Jesualdo Pires aguarda a vez para substituir o pedetista. Ao alimentar a substituição, os partidários da candidatura a governador de Jesualdo também provocam estragos na campanha senatorial do ex-prefeito, visto que confundem o eleitor. Quem tem duas candidaturas simultâneas não tem nenhuma, diz o adágio.  

MILAGRE – Só um milagre judicial para salvar a pretensa candidatura a presidente de Lula, embora lidere todas as pesquisas divulgadas nacionalmente até o momento. A lei da ficha limpa é aplicada a todos os jurisdicionados –inclusive aqueles que podem refazer suas sentenças – e nada indica que o Tribunal Superior Eleitoral vá mudar o entendimento para acatar o pedido de registro da candidatura a presidente de Lula. Ademais, milagre não acontece toda hora, embora em Brasília todos os fenômenos sejam possíveis.

FORÇA – Com ou sem Lula, o PT tem uma militância nacional enorme e capaz de alavancar qualquer nome que a legenda coloque em substituição ao ex-presidente preso em Curitiba. O mais ferrenho inimigo do petista sabe o quanto o partido tem força para levar seu candidato ao segundo turno das eleições presidenciais. Resta saber quem terá força, entre os demais concorrentes, para ir com ele a disputa final.

TV – No próximo dia 31 os programas de TV e Rádio dos candidatos entram no ar. Uma oportunidade para que o eleitor saiba o que eles têm a dizer e a oferecer como propostas. Esta é a campanha mais rápida da história do país, onde os espaços das mídias sociais bem aproveitados vão dar o tom das campanhas.

JULGAMENTO – Está marcado para sexta-feira no Tribunal de Justiça do Estado o julgamento da ação criminal movida pelo prefeito Hildon Chaves (PSBD) contra o deputado estadual Hermínio Coelho (PCdoB). Ao receber a denúncia o relator indeferiu os pedidos requeridos pelo denunciado o que não é um bom sinal para quem adora destruir reputações.

Fonte: Jornalista Robson Oliveira - Porto Velho/RO.


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