Jesus conta a parábola dos trabalhadores da vinha para falar da justiça de Deus. Essa Justiça se revela no modo de agir do dono da vinha, que cumpre a palavra dada e atende a todos, convidando a atitudes novas. Trabalhar na vinha, o Reino de Deus, não torna uns mais merecedores que outro. Cada um de nós, com a própria história, seguindo ajustiça do Reino, entra na dinâmica do amor de Deus e se sente agraciado com a bondade e a misericórdia divinas.
Os que foram contratados primeiro esperam receber mais do que o "justo" combinado. Pensam na justiça que retribui segundo o mérito, a qual se baseia na comparação e vem sempre acompanhada do ciúme.
Os que foram contratados por último, por sua vez, descobrem que o "justo" combinado vai além do que acreditam merecer. De fato, o dono da vinha, ao agir com bondade, mostra que sua justiça não é simples retribuição e muito menos punição, mas solidariedade com os que vivem situações de preocupação, vulnerabilidade e sofrimento, como o desemprego.
Tem sentido, então, a pergunta do dono da vinha, diante do ciúme que não admite o amor autêntico de Deus. Reconhecer-se agraciado por Deus e comprometer-se com uma justiça diferente faz superar preconceitos e compreender as necessidades dos outros. Há quem possa, por exemplo, tachar de vagabundo aqueles trabalhadores contratados por último. O dono da vinha os questiona, descobre que estão desempregados, e o pagamento "justo" que ele faz é pura solidariedadem, pelo drama que viviam. A justiça do Reino acontece, então, quando todos os seus filhos e filhas,. E nos convida a uma lógica da simples retribuição, para permitir que os dramas alheios nos interpelem. Afinal, é assim que podemos experimentar de fato o agir daquele que é Bom e realiza uma justiça diferente.
Fonte: Pe. Paulo Bazaglia, ssp / O DOMINGO - semanário litúrgico-catequético
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