Deus nos deu dois ouvidos e uma boca. Um dos ensinamentos dessa dádiva é que deveríamos ouvir mais e falar menos. Ocorre que nem sempre procedemos assim. Geralmente entramos na onda do barulho e corremos o risco da distração.
A audição, mais do que a visão, é o primeiro sentido que se desperta em nós, ainda no ventre da nossa mãe. O ouvido, com efeito, capta as paisagens sonoras mesmo antes de nascermos.
A Bíblia está permeada de apelos à escuta. Moisés, por exemplo, antes da prescrição da Lei, conclama povo: "Ouça, Israel, os estatutos e normas que e eu hoje proclamo aos seus ouvidos. Vocês vão ensiná-los, guardá-los e praticá-los" (Dt 5.11). Os profetas todos também se dirigem aos seus interlocutores como o clássico "ouçam a palavra do Senhor".
Um exemplo mais próximos é na família. Quando os pais precisam aconselhar dizem: "Filho, me escute". Só obedece quem antes ouve. E não vale apenas fazer de conta que ouve, porque, se assim for, a palavra entra por um ouvido e sai pelo outro. A palavra necessita ser acolhida pelo ouvido para pousar no coração.
Jesus não mediu esforços para iniciar e exercitar seus discípulos na arte de ouvir. A cena da transfiguração (Mt 17,1-9), com toda a densidade simbólica de uma teofania, isto é, de uma manifestação divina, contém um ensinamento fundamental: ouvir Jesus. "Este é meu Filho amado, em quem encontro o meu agrado. Ouçam-no" (Mt m17,5). É interessante que a voz ressoou no momento em que o apóstolo Pedro falava. Em vez de ouvir e sentir o mistério, Pedro parecia olhar para outra direção, como se estivesse sendo capturado pelas imagens. Não abriu os ouvidos: "Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias" (Mt 17,4).
É necessário adentrar o mistério em sua profundidade. As exterioridades exageradas podem ofuscar o essencial e desviar nossa atenção para o supérfluo. Jesus não quer apenas adeptos. Ele quer seguidores autênticos, com vínculos, e não somente conexão.
Jesus se transfigure no monte sagrado do nosso coração. Deixemos que sua Palavra produza frutos em nós.
Fonte: Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp / O DOMINGO - semanário litúrgico-caquético
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