Embora tenha nome de país europeu, o pãozinho de casca dourada e miolo macio é uma invenção brasileira que movimenta bilhões na economia e que recebe diferentes denominações de Norte a Sul
Segundo a Abip, ele é o item mais vendido do setor, representando quase 34,4% de todos os produtos panificados comercializados no país. Os dados apontam que o consumo anual pode chegar a 2,3 milhões de toneladas e que ele ajuda a movimentar mais de R$ 12 bilhões por ano.
Crocante por fora e macio por dentro, ele pode ser melhor apreciado com manteiga, requeijão, presunto, queijo ou mortadela, mostrando que, além de versátil, é uma grande paixão nacional. Mas você sabia que o pão francês não nasceu na França? E que ele tem outros nomes pelo país?
Conheça essas e outras curiosidades sobre o pão francês abaixo:
1. O pão francês não nasceu na França
Apesar do nome, o pão mais popular do Brasil é uma criação brasileira. Seu surgimento se inspirou na clássica baguete francesa.
“O pão francês é uma adaptação brasileira inspirada nos pães consumidos na França. Com o tempo, ele ganhou características próprias e acabou se tornando um dos maiores símbolos da alimentação cotidiana do país”, explica o professor Renato Lins Pires, do curso de Gastronomia do UniBH, em Belo Horizonte (MG), feito em parceria com o Le Cordon Bleu.
A receita surgiu no início do século XX no Rio de Janeiro. Encantados com os pães que encontravam durante as viagens à Europa, brasileiros passaram a pedir aos padeiros locais versões semelhantes. A tentativa de reprodução acabou levando a uma adaptação, tendo em vista as condições e os ingredientes disponíveis aqui. O resultado foi um pão com identidade própria: menor, macio e bom para o consumo cotidiano.
2. Baguete x Pão Francês
Os ingredientes de uma baguete e de um pão francês são praticamente os mesmos: farinha de trigo, água, sal e fermento. O que muda é o processo de produção, que resulta em produtos diferentes.
A baguete passa por fermentação mais longa, que gera casca mais espessa e textura firme. Já o pão francês foi adaptado a um outro ritmo: é menor, mais leve e fica pronto em cerca de três horas.
“O brasileiro transformou esse pão em protagonista do café da manhã e dos lanches. Na França, ele aparece mais como acompanhamento de refeições”, explica Renato Lins Pires.
3. Um pão, muitos nomes
Dependendo da localização, o pão francês pode ser conhecido por outros nomes. No Ceará, é chamado de carioquinha. Em Minas Gerais e na Bahia, leva a alcunha de pão de sal. No Rio Grande do Sul, virou cacetinho.
Há ainda outras versões país afora, como pão d' água, pão de Jacó e pão filão.
4. Características de um bom pão francês
Você sabe como sabe identificar um pão francês bem feito? Além do uso de insumos de qualidade e de uma boa fermentação, a Abip dá algumas pistas:
- A cor ideal do pão francês é amarelo-dourada e levemente brilhante;
- O pão deve ser crocante por fora, mas não deve ser duro. Quando pressionado, ele deve voltar à forma original;
- Não pode ficar achatado nem se esfarelar ao toque;
- O miolo deve ser branco, sem estrias, manchas ou buracos;
- A pestana, que é a abertura formada na superfície do pão durante o assamento, deve ser fina, regular e presa ao pão, com bordas destacadas.
5. Pão francês engorda?
A resposta é simples: sozinho, o pão francês não faz uma pessoa ganhar peso ou gordura corporal.
"Dentro de uma estratégia alimentar com déficit calórico (ingerir menos calorias e gastar mais), ele pode ser inserido pontualmente e ainda assim gerar o emagrecimento desejado", afirmou Eleonora Galvão, nutricionista do Instituto Nutrindo Ideais, à CNN Brasil.
O que mais pode prejudicar a dieta são os recheios calóricos ou ultraprocessados, e não necessariamente o pão. A reportagem mostra que o pão francês não precisa ser eliminado da dieta, mas deve ser consumido com equilíbrio, boas combinações nutricionais e atenção ao contexto alimentar.
Receita de pão francês
É possível preparar um pão francês caseiro, como demonstra Renato Lins Pires. Abaixo, siga o passo a passo para testar a receita em casa:
Rendimento: 10 porções
Ingredientes
- 500 g (3 ½ xícaras) de farinha de trigo
- 300 mL (1 ¼ xícaras) de água
- 20 g (1 ½ colher de sopa) de banha de porco
- 5 g (1/2 colher de sopa) de fermento biológico seco instantâneo
- 7 g (1/2 colher de sopa) de açúcar
- 10 g (2 colheres de chá) de sal
Modo de preparo
- Em uma tigela grande, misture a farinha, o fermento e o açúcar. Acrescente a água aos poucos, misturando bem para incorporar. Quando a farinha estiver toda hidratada, acrescente o sal e inicie o processo de sova;
- Quando a massa já estiver lisa, acrescente a banha, continuando a sovar até que esteja completamente incorporada à massa. Essa sova deve demorar cerca de 10 a 15 minutos, e, ao final, a massa deve estar lisa, elástica e não deve grudar na mão ou na bancada;
- Faça uma bola com a massa e coloque numa tigela untada, cobrindo-a com filme plástico ou um pano de prato levemente umedecido. Deixe a massa fermentando por cerca de 1 hora, até aumentar de volume;
- Polvilhe a bancada com uma pequena quantidade de farinha e transfira a massa para a bancada, apertando-a para tirar o excesso de gás gerado na fermentação. Divida-a em porções de cerca de 80 gramas, devendo obter cerca de 10 porções;
- Modele na forma de bolinhas e deixe-as descansar por 10 minutos, sempre coberta com filme plástico ou o pano de prato umedecido;
- Unte uma assadeira com óleo ou manteiga. Modele os pães: achate a bolinha, formando um círculo com aproximadamente 10 cm de diâmetro e enrole, a partir de uma das bordas, como se fosse um rocambole. Deve-se obter um pão com as extremidades mais finas do que o centro;
- Leve os pães à assadeira untada, deixando um espaço de aproximadamente 3 cm entre eles. Cubra-os novamente e deixe crescer por um hora;
- Quando faltar 30 minutos para o fim do descanso, pré-aqueça o forno em temperatura alta (220ºC). Com um estilete ou lâmina bem afiada, faça um corte na superfície do pão. Dica: polvilhe um pouco de farinha de trigo sobre o pão para facilitar o corte;
- Leve-os ao forno e borrife com água. Deixe-os assar por aproximadamente 20 minutos, até que fiquem bem dourados.


.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário