O Evangelho (Lc 24,13-35) traz a imagem da "pedra fundamental" dos primeiros seguidores de Jesus: o caminho. De fato, essas pessoas eram tidas como as que seguiam "o Caminho" (At.9,2).
Quem se põe a caminho o faz porque busca e tenciona encontrar. Assim fizeram os discípulos de Emaús. Ainda que suas expectativas humanas tivessem sido frutadas pelos recentes acontecimentos, continuavam inquietos. Por isso estava a caminho, quando então foram alcançados pelo Ressuscitado.
Jesus os acompanha, sem apressar-lhes seus passos. Paciente, escuta-lhes as inquietações, sem interferir. No momento certo, questiona: "o que ides conversando pelo caminho?" (v.17). No tempo certo adequado, explica e esclarece.
Feito o percurso, dá a entender que seguirá adiante. No entanto, ao receber o convite para que permaneça , "Jesus entrou e ficou com eles" (v.29). O contexto havia disposto que o encontro se realizasse. Tal encontro acontece à medida que o caminho é percorrido com inquietação, chegando ao ápice "ao partir o pão". Nesse momento, "seus olhos se abriram e eles reconheceram Jesus" (v.31).
A etapa histórica em que nos situamos valoriza o descartável, as aparências e a autorreferencialidade, influenciadores digitais, ávidos por números, propagam conteúdos de toda as espécies e infiltram-se em todos os ambientes. Com frequência, tais conteúdos obscurecem a inquietação de quem está a caminho, em busca de um sentido para a vida. O estilo de vida consumista e inconsequente vai ocupando o espaço da compaixão e da misericórdia - espaço que caracteriza Boa-nova do Reino anunciado pelo Ressuscitado.
É a atitude de nos dispormos a partir o pão que nos possibilita abrir os olhos para reconhecer Jesus. Estamos inquietos, percorrendo esse caminho, ou nos refugiamos em saudosismo e na frieza do mundo virtual, do cultivo apenas dos próprios interesses e da autorreferencialidade?
Fonte: Pe. Darci Luiz Marin, ssp / O DOMINGO - semanário litúrgico-catequético
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