quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Opinião de Primeira - RONIA, CRITICA ÁCIDA, PROTESTO: NÍKOLAS FERREIRA ANALISA QUEM GANHOU E QUEM PERDEU NO NATAL DO BRASIL



Não há o que contestar, num curto mas vigoroso depoimento, gravado em vídeo e que teve milhões de acessos, com uma análise do jovem deputado mineiro, relatando os resultados do atual governo do presidente Lula, que, afora os petistas e representantes da esquerda brasileira, que fazem discursos sobre o irreal, tem merecido não só críticas, mas também grande preocupação, na ampla maioria da sociedade brasileira. Obviamente que todo o texto é ácido, irônico, duro, quase um escárnio, até por ter vindo de um dos maiores críticos de Lula e de sua forma de comandar o Brasil. Nikolas Ferreira, o deputado federal mais votado no país na última eleição para o Congresso, com mais de 1 milhão e 470 mil votos, começa dizendo que o Natal foi bom para muitos, “menos para o público LGBT, que no governo Lula tiveram um corte de 22 opor cento em seus projetos; não para os idosos, que tiveram um corte de 29 por cento em seus programas de proteção; não para os deficientes, que tiveram acesso limitado ao BPC (Benefício de Prestação Continuada); não para por um projeto do PT; não para os patriotas, já que passam de 300 os condenados pelo 8 de Janeiro”.

Níkolas prossegue, no vídeo: “não para os indígenas, que tiveram recordes de mortes por omissão do Poder Público; não para oes estudantes, que sofreram um corte de 1 bilhão e 200 milhões na Educação; não para as mulheres, que viram a violência contra elas crescerem 22 por cento no último ano; não para os professores, que tiveram que passar meses em greve, para conseguirem aumento de salário; não para os negros, que viram os casos de racismo dobrar no Brasil neste mesmo período; não para os ambientalistas, que viram as queimadas no Brasil bateram o maior recorde em 14 anos; não para os doentes, que ficaram sem 1 bilhão e 600 milhões de reais do programa Farmácia Popular; não para os policiais que tiveras suas ações limitada spor decreto, no governo Lula; não para os militares, que tiveram seus benefícios reduzidos e para os sem terra, que viram o governo ignorar a pauta da Reforma Agrária; não para os empresários, que terão que opagar os impostos mais caros do mundo”.

A ironia de Níkolas prossegue, ao dizer que houve gente que comemorou o Natal, sim! “Os artistas, que terão 16 bilhões de reais da Lei Rouanet para 2025; os bandidos, soltos pelo indulto de Natal para voltar a cometer crimes; o STF, que é o Judiciário mais caro do mundo, com seus supersalários e mordomias, custando 1 bilhão para os pagadores de impostos; os deputados vendidos, que tiveram 49 bilhões em emendas parlamentares, para votarem a favor do governo; as esposas de ministros de Lula que foram indicadas para Tribunais de Conta, recebendo salários de mais de 40 mil reais; a Janja, que gastou 63 milhões dos cofres públicos, para fazer festa com o dinheiro do contribuinte”. O jovem e combativo deputado concluiu, com mais uma ironia: “de fato, o amor venceu no Brasil, Mas para poucos, porque, para o resto, o amor saiu bem caro!”. O vídeo na íntegra pode ser assistido pelo link https://www.youtube.com/watch?v=gP4ZVtCyVrI

 

 

 

HILDON INAUGUROU A RODOVIÁRIA, A MENINA DOS SEUS OLHOS, GRAÇAS A DECISÃO JUDICIAL EMANADA NA 25ª HORA

Foi na 25ª hora, aos últimos segundos da prorrogação! Contra o Tribunal de Contas. Foi contra o CREA. Foi ignorando o que ele chamou de “muita gente torcendo contra!”  Mesmo com toda a controvérsia que o assunto ainda terá, o prefeito Hildon Chaves, num dos seus últimos atos de Governo, conseguiu inaugurar a novíssima e bela Rodoviária de Porto Velho. A obra, praticamente pronta, foi entregue graças a uma decisão judicial, que derrubou a liminar que impedia o ato, no final da tarde da segunda-feira, penúltimo dia do ano. É uma obra monumental. Ao se entrar nela, parece que estamos num terminal de Primeiro Mundo; numa espécie de shopping center dos grandes! Do lado de fora, sua suntuosidade e beleza são impressionantes. Não há dúvida de ela vale cada um dos 40 milhões de reais investidos. A nova Rodoviária de Porto Velho está entre as melhores, mais completas e mais belas do país. Na Região Norte, não há outra que se possa comparar a ela. Hildon decidiu entregar a obra, alegando que ela está 100 por cento concluída. Foi uma construção feita com determinação e coragem, depois de pelo menos três décadas em que o antigo arremedo de Rodoviária, sem qualquer estrutura, envergonhava a população, cada vez que saia ou entrava um ônibus. Agora, a história é outra!

O Prefeito que encerrou seu mandato nesta terça, dia 31, conseguiu finalmente, entrega, a obra que é a menina dos seus olhos. E o fez ao lado da ex-deputada Mariana Carvalho (que destinou mais de 20 milhões de reais em emendas para a construção); do deputado federal Maurício Carvalho; da primeira dama e deputada estadual ieda Chaves; de dezenas de autoridades, vereadores e convidados. Toda a estrutura foi aberta ao público, assim como às empresas de ônibus e aos comerciantes que ali abriram também seus pontos, numa solenidade com muita gente.   A obra da Rodoviária tinha sido proibida de inaugurar pelo Tribunal de Contas, numa ação excepcional (não se tem notícia de medida anterior semelhante) que por duas vezes desautorizou Hildon a fazer a entrega. Uma ação popular chegou a ser aprovada pela Justiça, em 1ª Instância, mas foi derrubada por decisão do desembargador Daniel Lagos. Ainda há detalhes finais da obra que estão em andamento, mas, enfim, temos, depois de longos anos, uma Rodoviária decente!

LÉO MORAES ASSUME O COMANDO DA PREFEITURA, COM MUITOS DESAFIOS. QUE TENHA TODO O SUCESSO! - Léo Moraes chega com tudo! Começa, tão logo acabe a solenidade desta quarta-feira, na Praça da Estrada de Ferro Madeira/Mamoré, quando ele será empossado oficialmente, a governar a maior cidade de Rondônia, neste Estado que abrigou a ele e sua família e numa cidade que já lhe deu mandatos de vereador, de deputado federal (onde se destacou nacionalmente) e agora, em novembro passado, o alçou, por ampla maioria de votos, ao cargo de Prefeito. Léo é o mais jovem político a assumir tão pesado encargo. Chega cheio de planos, pronto para começar o que ele tem chamado, nos vídeos que divulga pelas redes sociais, de “uma grande transformação” da sua cidade, com a intenção de tirá-la de índices negativos, principalmente na infraestrutura e em termos sociais, para buscar colocá-la numa posição muito melhor, no ranking nacional. Não será uma tarefa fácil, já que embora a cidade tenha melhorado muito em alguns setores, sob Hildon Chaves, há uma série infindável de obstáculos a se transpor, para que o novo Prefeito consiga entregar o que prometeu na campanha.

 Ainda durante a solenidade de posse, Léo Moraes deve anunciar sua equipe de governo, segredo que ele guardou a sete chaves, desde a eleição. Exagerou um pouco ao criticar o que chamou de “maldades”, alguns anúncios de possíveis nomes, como se as pessoas citadas sofressem algum tipo de ataque, o que, obviamente, não aconteceu. O da posse desta quarta-feira terá que ser o último palanque do candidato, para se tornar o primeiro do novo comandante geral desta Capital de meio milhão de habitantes, cheia de problemas, alguns deles muito graves. Seja bem vindo, Léo Moraes! Que você entre para a História como o Prefeito que superou todos os seus antecessores!

LÉO COMEÇA BEM, ESCOLHENDO PAULO AFONSO, PROFISSIONAL RESPEITADO, PARA COMANDAR A COMUNICAÇÃO - Começou com o pé direito! O primeiro e único nome apresentado pelo prefeito Léo Moraes, antes da sua posse, agradou aos jornalistas, que em grande número, participaram do evento do anúncio, feito na noite de segunda-feira, no Hotel Golden Plaza, na Capital. Paulo Afonso, homem de Marketing e um nome respeitado no seu meio, vai assumir a Superintendência  de Comunicação da Prefeitura. Numa reforma administrativa que está sendo projetada por Léo Moraes, o órgão será transformado, brevemente, em Secretaria. Afonso é um profissional conhecido e reconhecido, com passagens cheias de realizações e bons resultados na iniciativa privada, como no grupo Dydyo/Kayari e, mais recentemente, no poderoso Grupo Rovema, um dos que mais crescem no Estado, sob o comando do megaempresário Adélio Barofaldi. A estrela de Paulo Afonso o levou a ser convidado para ocupar seu primeiro cargo público, um desafio que ele sabe ser complexo mas que, com sua experiência e talento, conseguirá certamente cumprir com sucesso.

No encontro com os jornalistas (quase três dezenas), Léo apresentou oficialmente seu comandante da Comunicação, exortou a imprensa a ser parceira, o ajudando a envolver a comunidade nas ações da Prefeitura e prometeu transparência e respeito à toda a mídia. Paulo Afonso também garantiu que terá o melhor relacionamento com os jornalistas e que a imprensa é vital para envolver a comunidade na busca de uma Porto Velho melhor. Através deste Blog, Afonso convidou todos os porto-velhenses para a posse do prefeito Léo Moraes, nesta quarta-feira, lembrando que haverá muitas atrações, inclusive uma grande queima de fogos, “sem barulho”, para que as crianças autistas possam acompanhar tudo, com suas famílias, sem qualquer susto.

GONÇALVES DESTACA GRANDE CRESCIMENTO DO ESTADO E ROCHA DIZ QUE É RESULTADO DE TRABALHO DE TODOS - Os avanços da economia do Estado; o menor desemprego do país; a conquista de novos mercados e os recordes em exportações foram assuntos destacados pelo secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e também vice-governador Sérgio Gonçalves. Para ele, 2024 consolidou Rondônia como um Estado em pleno desenvolvimento, “com a conquista do mercado global; recorde de exportações e liderança no combate ao desemprego, com a menor taxa em relação a todo o país. “O resultado é reflexo de iniciativas estratégicas, através do Governo do Estado e parcerias robustas, que impulsionaram setores essenciais”. Para o vice-governador, “o amazônico e jovem Estado, com apenas 42 anos, impressiona pela velocidade de crescimento econômico alcançado, assumindo posição à frente de Estados tradicionais da nossa região, historicamente mais desenvolvidas. O governador Marcos Rocha acrescenta que “conseguimos cravar o nome de Rondônia na economia brasileira, neste ano que está terminando. Isso se deu graças a muito trabalho de toda a equipe de Governo, juntamente com os representantes de todos os Poderes, empresários, produtores e toda a nossa população. Juntando esforços, continuaremos avançando na direção do propósito de tornar nossa amada Rondônia num lugar cada vez melhor para se viver e para se trabalhar”!

Sérgio Gonçalves, explicou, ainda, que o modelo de desenvolvimento econômico aplicado no Estado, “reúne ações estratégicas, como oportunizar todas as condições para os negócios prosperem com celeridade, menor custo para abertura de empresas, apoio com microcrédito, qualificação profissional gratuita da população conforme as demandas de mercado e promoção dos produtos do Estado no mercado global”.

TRISTEZA NO ANO NO NOVO: DESCARGA ELÉTRICA MATA QUATRO OPERÁRIOS NA CASA DE SHOWS TALISMÃ - O final de ano enlutou Porto Velho, com a verdadeira tragédia registrada nas obras de preparativos para os festejos de Ano Novo, na casa de shows Talismã, na avenida Mamoré, em direção à BR 364, zona leste da Capital. A morte de quatro operários, todos atingidos por forte descarga elétrica, entristeceu não só os porto-velhenses, como também a toda a Rondônia, enquanto ela se prepara para as comemorações de passagem de ano. Até o final do dia não haviam mais informações, mas apenas se sabe que um grupo de operários estava preparando a festa e foi deslocar um andaime. Quando o objeto tocou na fiação elétrica, numa rede de alta tensão, atingiu em cheio não só os quatro que morreram na hora, mas também outras pessoas que ficaram feridas. O andaime teria tocado em fios de alta tensão, atingido o quarteto em cheio. Um dos corpos chegou a pegar fogo, pelas violência do choque elétrico sofrido. Um dos feridos estava em estado grave, no final da manhã.

Apenas em 2023, nada menos do que 250 pessoas morreram eletrocutadas no Brasil, a maioria por tentar mexer na rede elétrica sem preparo ou sem uso de equipamento de segurança. A  região Nordestre foi a que registrou o maior número de ocorrências, com um total de 291 acidentes, representando 29,5 por cento do total. Em seguida, vem a região Sul, com 233 casos, seguida pelo Sudeste com 189, Centro-Oeste com 146 e Norte com 127. Em Rondônia, em 2023, foram 17 mortes.

CAMINHÕES DESTRÓEM ASFALTO EM AVENIDAS E RUAS ESTREITAS DA CAPITAL, SEM QUALQUER FISCALIZAÇÃO - Há uma ilegalidade, uma falta de respeito, um acinte contra Porto Velho que se repete todos os dias. Dezenas de caminhões, alguns enormes bi-trens, supercarregados, se dirigem ao Porto da Capital, usando quase todo o trajeto da avenida Guaporé, cujo asfalto jamais foi feito para suportar cargas deste tipo. Por isso, seguidamente, aparecem crateras em trechos da avenida. Sem fiscalização alguma, os caminhões/trogloditas continuam andando naquela via, saindo da BR 364 e indo até a Migrantes, onde então se dirigem ao Porto, no rio Madeira. Mas há outros que decidem andar em outras ruas da cidade, como um que, dia desses, também carregado, mas saindo do Porto, foi até a Jorge Teixeira (BR 319) arriscando destruir o asfalto da avenida Abunã. Já houve pelo menos um caso de um caminhoneiro utilizar a estreitíssima rua Dom Pedro II, perto do antigo Palácio do Governo, indo até a Jorge Teixeira (BR 319), para desespero dos motoristas que não conseguiam andar numa rua estreita e que ainda tem estacionamento dos dois lados.

Tudo isso faz parte de um pacote de desrespeito para com Porto Velho. Destruir ruas e avenidas com caminhões pesados, trafegando ilegalmente é um absurdo. Ainda mais que moradores e comerciantes pedem fiscalização, multas e apreensão dos veículos que burlam as leis há longo tempo, sem que sejam ouvidos. Como nenhuma autoridade até agora deu atenção ao assunto, o jeito é torcer para que o Governo do Estado e Dnit entrem num acordo para a conclusão, o mais rápido possível, das obras do Anel Viário que liga a BR 364 ao Porto. Tomara que esta obra não demore os mais de 20 anos que demorou o Anel Viário de Ji-Paraná!

CHEFÕES DO TRIBUNAL DO CRIME ASSASSINAM BRUTALMENTE MENINA DE 14 ANOS, EM CONJUNTO HABITACIONAL ONDE ELES MANDAM - Terrorista, para parte da Justiça brasileira, é quem, armado com uma Bíblia, tentou dar um violento golpe de Estado, no 8 de Janeiro. Mas não o são membros de facções criminosas, que, protegidos por leis irracionais, dominam regiões inteiras do país, como o fazem em Porto Velho. Estes bandidos sanguinários decidem quem vive e quem morre. No país impune deles, há um “Tribunal do Crime”, onde adversários ou membros de facções são torturados e mortos. Como ocorreu com uma garota de 14 anos, Nicolli Victoria, barbaramente assassinada por membros de uma facção no conjunto residencial Morar Melhor, onde os criminosos é que fazem as leis. Ela já havia sido atacada há alguns meses atrás por nada menos do que dez bandidos. Teve sua cabeça raspada e conseguiu fugir. Voltou há pouco para Porto Velho, mas como estaria fazendo parte de uma facção rival, foi brutalmente assassinada. A PM chegou a ser chamada, mas quando chegou, só encontrou o corpo da menina, morta com requintes de crueldade. É esta impunidade (como o caso do membro do STJ que decidiu que traficante de drogas usar armas não é crime!) que facilita a ação destes grupos de extermínio que, quando presos, têm todos os seus direitos humanos protegidos, enquanto suas vítimas, mesmo crianças, apodrecem embaixo da terra.

Em Porto Velho, como em praticamente todas as Capitais brasileiras (com exceção de Goiânia, porque lá o governo acabou com as facções) os membros dessas gangues sanguinárias dominam os conjuntos habitacionais populares, geralmente abandonados pelo poder público na questão da segurança. Onde não há polícia, há bandido. Onde o Estado não está presente, as facções estão. A garota assassinada em cerimônia recheada de crueldade não é a primeira nem será a última. Quando o “Tribunal do Crime” decidir de novo, a pena de morte será aplicada mais uma vez. Uma vergonha!

PERGUNTINHA - Sua festa de Ano Novo foi regada a coisas boas, esperança, saúde, projetos positivos de crescimento em tudo na sua vida ou você começou o 2025 com algum pessimismo, por tudo o que está acontecendo na política,  no Judiciário e na economia do nosso Brasil?


Fonte: Jornalista Sérgio Pires / Porto Velho-RO.




(SJRP)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

no cais

vive a sonhar...

solidão e saudade,

seu refúgio é o mar



TSRossi
/ Porto Velho-RO




(SJRP)

Como medir a qualidade de vida de uma população?

 


Luciano Nakabashi comenta as diversas tentativas de representar em dados algo tão complexo como bem-estar social

A Finlândia geralmente é apontada como o país mais feliz do mundo, enquanto a Suíça carrega o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); os Estados Unidos têm a maior economia, mas Luxemburgo tem o maior PIB per capita. Já o Índice de Progresso Social (IPS), criado por pesquisadores de Harvard e que pretende sanar lacunas dos outros índices, aponta a Suécia como líder mundial. São diversas tentativas de medir a qualidade de vida de uma população. O professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-RP) de Ribeirão Preto, explica a complexidade da questão e os pontos fortes e fracos dos índices.

A partir do entendimento de que os índices IDH e PIB, os mais difundidos, eram insuficientes para medir a qualidade de vida de uma população, o Índice de Progresso Social foi criado. Diferentemente dos outros, o IPS não se baseia em renda, medindo apenas questões como saúde, liberdade, segurança, moradia, entre muitos outros. Ele se baseia em três grandes guarda-chuvas: necessidades humanas básicas, alicerces do bem-estar e oportunidades.

Luciano Nakabashi – Foto: CV Lattes

O economista comenta: “É um esforço que vem ocorrendo para tentar capturar de forma mais correta o nível de bem-estar social das pessoas”. Ele diz que uma das críticas desses indicadores, como PIB per capita e IDH, que usam a economia nacional como parâmetro, é a questão da desigualdade. “Se está mal distribuído, uma boa parte da população acaba ficando excluída desses indicadores que são relevantes para afetar o bem-estar da população”, explica ele.

Por causa disso, alguns índices acabam sub ou supervalorizando alguns países. Luciano Nakabashi dá um exemplo concreto: “No caso de Cuba, você tem um país que é pobre, mas que as pessoas têm acesso à escolaridade, mais igualdade de renda, e isso é relevante”. Costa Rica é outro caso de uma economia tímida, mas que atua bastante em oferecer qualidade de vida para a população. Segundo o ranking do IPS, ela fica apenas ligeiramente atrás dos EUA, a grande economia mundial.

PIB x IDH

O Produto Interno Bruto (PIB) é um dos índices mais utilizados no mundo para diferentes funções. Ao medir as movimentações econômicas de um país, ele serve para indicar diferentes implicações, inclusive a qualidade de vida. A questão é polêmica: há, de acordo com o especialista, uma relação indireta, mas não necessária. Se um país é rico, geralmente a riqueza se traduz ao menos em parte em educação, saúde e bem-estar.

“Os países que têm um PIB mais elevado têm esses indicadores melhores no geral, mas não é uma medida direta”, afirma Nakabashi. Por exemplo, a Rússia tem quase o dobro de PIB per capita (PIB dividido pela população) do que o Brasil, mas está atrás do país no IPS. O fato de ser um regime autoritário, com liberdade restringida e medidas opressoras, por exemplo, é um fator que afeta o bem-estar da população, mas que nada tem a ver com economia.

Já o IDH veio para suprir essa demanda. O PIB per capita é um dos seus componentes, mas não se limita a ele. Além dele, o índice leva em consideração a expectativa de vida e educação média. “O IDH foi bastante difundido também pela questão da sua simplicidade de pegar elementos que são importantes, como escolaridade e saúde, além da renda”, diz o professor. Assim, apesar de modesto, ele condensa os principais aspectos de uma população satisfeita em dados facilmente auditáveis.

Metodologia importa

De acordo com Nakabashi, construir um índice é uma questão de escolhas de ganhos e perdas. Se, por um lado, o IPS ganha em complexidade e profundidade, por outro isso acaba por comprometer sua confiabilidade. “Você quer um indicador que capte bem a questão do bem-estar, mas que seja também relativamente simples”, resume ele. “Então, o IPS tem esse problema de ser mais complexo, de muitas vezes não ter variáveis que são confiáveis quando você vai pegando países de renda mais baixa, e aí você limita a comparação entre os países.”

Assim, o IDH e o PIB ganham em serem mais diretos ao ponto. Perdem em não serem tão amplos e não oferecerem uma relação direta com a qualidade de vida de uma população, mas servem bem para indicar tendências. Em geral, países com alta renda costumam performar positivamente em bem-estar social. Mesmo no ranking do IPS, que não leva renda em consideração, os países no topo são alguns como Finlândia, Noruega, Suíça e Dinamarca.

No fim, é uma questão de escolher entre abrangência ou confiabilidade. O IPS, para o especialista, “é uma proposta interessante por estar trazendo mais variáveis que são relacionadas ao nível de bem-estar”. Mas o IDH, sendo mais conciso, é uma âncora mais firme. Mesmo com certas distorções, a expectativa de vida é um indicador razoável da saúde de uma região, assim como a média de escolaridade representa bem o acesso à oportunidades. De forma geral, cada índice tem seus prós e contras e todos conseguem apenas capturar fragmentos da realidade.

*Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira


Fonte: Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 

(SJRP)

Otimismo é uma habilidade que pode ser desenvolvida em qualquer idade

Otimismo não é uma condição da idade, porque todas as pessoas têm a capacidade de desenvolver uma habilidade

Para Martha Leticia Aguirre Quintero, aprender a identificar coisas boas que aconteceram no nosso dia pode ajudar-nos a mudar as emoções negativas

Uma pesquisa intergeracional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Instituto Gallup entrevistou adolescentes e jovens, de 15 a 24 anos, e adultos maiores de 40 anos de 21 países. Entre os resultados, verificaram que os jovens (50%) são os que mais acreditam na melhora do mundo em comparação com as gerações mais velhas. 

Quem compartilha desse otimismo é o jovem estudante de jornalismo Mauro Marinho, de 20 anos. Em relação ao futuro da sociedade, Marinho diz acreditar em uma melhora, “mas não em uma melhora rápida”, já que, para ele, as mudanças ocorrerão no longo prazo.

Mas para a psicóloga Martha Leticia Aguirre Quintero, mestre em neurociências e comportamento pelo Instituto de Psicologia da USP, otimismo “não é uma condição da idade, porque todas as pessoas têm a capacidade de desenvolver uma habilidade”, além de se tratar de um conceito amplo e que envolve diversas variáveis que influenciam a vida das pessoas. 

A pesquisadora conta que as pessoas possuem capacidades de desenvolver diferentes habilidades e que, a partir da psicologia positiva, a esperança e o otimismo são vistos como emoções positivas sobre o futuro, havendo, inclusive, evidências sobre como esses aspectos podem se desenvolver. “Na psicologia positiva, se estudam as capacidades ou fortalezas dos seres humanos, a esperança é uma delas.”

A partir dessa vertente da psicologia, Martha diz que pessoas otimistas “explicam eventos positivos como um resultado permanente do uso de suas habilidades ou forças”, ao contrário dos pessimistas, que “relatam a existência de causas transitórias ligadas a estados de espírito e esforço”. É por isso que a professora vê a necessidade de o indivíduo desenvolver habilidades de autoconhecimento e autoeficácia para se sentir capaz de realizações, aumentar a motivação e esperar por resultados positivos ao planejar o futuro com uma vida que tenha significado e propósito. 

Acesso à informação e diferença entre gerações

Para o jovem otimista Marinho, as diferenças de perspectiva das gerações são influenciadas pelo acesso à informação e afirma perceber essa mudança em comparação a seus pais. “Acredito que a busca por informação, conhecimento, vai ser cada vez maior para as próximas gerações”, prevê o estudante, para quem o acesso à informação “está cada vez mais fácil”, com as pessoas buscando mais e mais por informação, o que deverá ser mantido com o passar das gerações.  

Perspectiva defendida também por Martha, que vê claramente as diferenças entre as gerações pelo fato de que “as pessoas jovens têm acesso a muitas coisas a mais do que as pessoas mais velhas”, podendo influenciar em uma visão mais global e otimista. 

Práticas para aprender a ser otimista

Segundo a psicóloga, “uma pessoa otimista tem um estilo cognitivo diferente, um jeito diferente de interpretar as situações da vida”. E adianta que, para desenvolver a habilidade do otimismo e gerar pensamentos positivos, existem algumas técnicas derivadas da terapia cognitiva que podem ser incorporadas no dia a dia a partir de práticas simples.

Uma dessas práticas, ensina Martha, consiste em escrever os pensamentos negativos e, ao mesmo tempo, “um pensamento positivo que possa rebater essas ideias”, pois a tendência do pensamento pessimista é antecipar o pior. Explica que “é importante aprender a identificar esses pensamentos negativos e ir adquirindo a habilidade de debatê-los”, de modo que “vamos adquirindo a consciência desse estilo de pensamento” para ser possível identificá-los facilmente quando surgirem e gerar afirmações positivas das mesmas situações.

Outra prática recomendada é a gestão adequada das emoções. “Podemos realizar práticas para cultivar emoções positivas, uma dessas práticas pode ser a gratidão e a apreciação da beleza”, exemplifica Martha. Essas práticas estimulam as novas habilidades, afirma, pois, “aprendendo a identificar coisas boas que aconteceram no nosso dia, também pode ajudar-nos a mudar as emoções negativas e o jeito de olhar para situações e mudar as interpretações que fazemos das situações”. 

A professora diz que essas práticas auxiliam no aprendizado de novas habilidades: identificar coisas boas que aconteceram ao longo do dia ajudam a mudar as emoções negativas e o jeito de olhar para situações, modificando as interpretações sobre as situações vivenciadas. “Olhando com autocompaixão, enxergando o bom do nosso dia a dia, vivendo e desfrutando do momento presente”, completa.


Fonte: Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 

(SJRP)