sexta-feira, 15 de maio de 2026

Opinião de Primeira - UM PACOTE ELEITORAL DE BONDADES E OUTRO DO MAL CONTRA ADVERSÁRIOS: É SEMPRE O MESMO ESQUEMA PARA SE MANTER NO PODER

         



 Nada como um ano eleitoral! O pacote de bondades vindas do governo federal, que fará de tudo para que Lula ganhe mais um mandato, não quer deixar pedra sobre pedra. Vale conter na marra o preço dos combustíveis, mesmo que isso signifique um prejuízo de bilhões de dólares para a já problemática Petrobras. Vale acabar com a Taxa da Blusinha, aquela que Lula defendeu com unhas e dentes e hoje diz que acha que ela não é necessária. Vale anunciar pacote de mais de 11 bilhões no combate ao crime organizado, como se isso resolvesse o problema da trágica segurança pública no país.

           Mas isso é só o começo. Na outra ponta das ações da esquerda brasileira, está o ataque aos adversários, inclusive usando jogo sujo. Como o fez Lula, acusando o ex-governador Romeu Zema de não ter utilizado dinheiro do PAC. Zema já respondeu, desmentindo: usou sim. E pediu 9 bilhões do programa para a União, embora Minas só tenha recebido 286 milhões. Mas vale a mentira ou a verdade?

           A grande missão, contudo, é colocar no colo de Bolsonaro mais dois escândalos de corrupção do atual governo: o roubo dos velhinhos e a roubalheira descarada do Banco Master. As mentiras são tantas vezes repetidas que podem acabar virando verdade, segundo a eterna teoria diabólica de Paul Goebels, o porta-voz do nazismo.

             Tem mais: agora, o ministro Boulos, aquele que não tem serventia alguma ao país, a não ser se postar como líder de invasão de propriedades alheias, começou a atacar outro adversário poderoso do Planalto: o ex-governador  de Goiás, Ronaldo Caiado. Tentando ligá-lo a organizações  criminosas e, claro, tentando manchar a imagem de um candidato viável e que, se eleito, vai trazer à tona toda a podridão que há hoje no país.

               Os piores ataques ainda estão por vir. Já começaram, mas ainda não se viu nem a ponta do iceberg. O alvo: claro, Flávio Bolsonaro, aquele que está a um por cento de destronar o petismo. A última é que o vice na chapa seria Ciro Nogueira, um dos corruptos pegos pela PF. Os boatos começaram, claro, só depois que Nogueira foi apontado como grande ladrão, em operação da semana passada.

               O PT usa todas as armas possíveis para ganhar uma eleição. E tem ganhado, convencendo o eleitor mais pobre, menos instruído, que vive de migalhas do governo, de que é ele a solução para todos os nossos problemas.

               Vinte anos depois de estar no poder, o Brasil está muito pior do que poderia estar. Mas grande parte da população ignora isso e quer continuar a viver sob o tacão e as benesses do dinheiro público.

 
            Será que isso acontecerá de novo, em 2026? Infelizmente, isso é uma possibilidade real!

MARCOS ROGÉRIO LIDERA NOS DOIS CENÁRIOS PARA O GOVERNO, APONTA VERITÁ. EXPEDITO NETTO TEM A MAIOR REJEIÇÃO

          A pesquisa do Instituto mineiro Veritá, divulgada nesta quinta-feira, não traz grandes novidades, a não ser um dado intrigante: quando o eleitor escolhe os candidatos sem que seus nomes sejam citados (a espontânea), Marcos Rogério continua bem à frente, mas Adailton Fúria tem quase o triplo das intenções de votos de Hildon Chaves. Contudo, ao serem nominados os concorrentes, os dois estão rigorosamente empatados. 

           O levantamento, registrado no TRE sob o número 02673/2026, ouviu 1.220 eleitores no Estado e tem nível de confiança de 95 por cento, segundo o Veritá. Não é surpresa que o senador Marcos Rogério esteja bem à frente em todos os cenários. Na pesquisa espontânea, ele tem 46 por cento das intenções de votos válidos. Fúria tem 32,6 e Hildon Chaves 11 por cento.

             Já na pesquisa estimulada, onde é apresentado os nomes dos candidatos, Rogério tem 42,5 por cento; Fúria 22,2 e Hildon 21,7, ou seja, os dois estariam, caso a eleição fosse hoje, totalmente empatados.

            No quesito rejeição, contudo, o petista Expedito Netto está disparado à frente, com 55 por cento. Marcos Rogério ficou em segundo, com 27,2 e Fúria em terceiro, com 7,7. Não foi divulgada a rejeição de Hildon Chaves.

           Todos os demais nomes citados não chegaram nos 14 por cento. Não sabem, não responderam e votos nulos e brancos chegam a mais de 18 por cento.
            Se a eleição fosse hoje, Marcos Rogério disputaria o segundo turno contra Adailton Fúria ou contra Hildon Chaves, pela pesquisa Veritá.

ATÉ AGORA, CAMPANHA NÃO TEVE BAIXARIA, MAS APENAS UM CASO MAIS SÉRIO DE TRAIÇÃO. JÁ A PARTIR DE JUNHO, O QUE VIRÁ?

          Não se pode ainda fazer um prognóstico seguro de como será o tom da campanha para o Governo de Rondônia. Os três principais nomes não são beligerantes, ao ponto de baixar o nível. Geralmente, a baixaria vem do entorno e depois é assumida pelas campanhas. Até agora, contudo, não se pode dizer que qualquer um dos pretendentes à cadeira de Marcos Rocha tenha extrapolado em suas ações e declarações.

          O único fato mais importante e digno de destaque neste momento foi a traição cometida pelo novo prefeito de Cacoal, Tony Pablo, contra seu ex-aliado de muitos anos, Adailton Fúria,. Mas não se pode dizer que houve alguma baixaria. Houve apenas ingratidão. Daquelas que doem, mas não mais que isso.

          Fúria deu umas alfinetadas em Marcos Rogério. O senador não respondeu diretamente, mas o fez através de aliados e de veículos da mídia que o  apoiam. O episódio do vereador do PL que foi filmar a casa de Fúria, ao menos até agora, não passou de comédia Pastelão.

           Já Hildon Chaves também ainda não usou qualquer arsenal contra seus adversários. Na primeira vez que disputou a Prefeitura, uma frase sua (“conheço um criminoso em cinco minutos de conversa!”) caiu nas graças do povão e o ajudou a eleger-se.

           Como ainda é muito  cedo e muita água ainda vai rolar até as convenções que oficializarão as candidaturas, neste momento está todo o mundo ainda pisando em ovos e tendo cuidados. Mas a partir de junho...

ROCHA ATUA NOS BASTIDORES DA POLÍTICA E QUER O HEURO, MAS PARECE VIVER MOMENTO DE TRISTEZA POR NÃO CONCORRER

          Silente. Apenas gravando vídeos, em função de ações do seu governo ou, ainda, aqui e ali, participando de solenidades oficiais, mais no interior do que na Capital. Poucos pronunciamentos públicos, muita introversão e distância da mídia. É assim que está o governador Marcos Rocha, neste momento que antecede o último mês inteiro do seu governo de oito anos, o Dezembro que se aproxima, célere.

            Sempre pra cima, distribuindo sorrisos e quase nenhum demonstrando baixo astral, até agora, Rocha está num período introspectivo, certamente ainda triste pelo fato de que não vai participar da eleição, em busca de uma cadeira ao Senado, seu projeto político que tinha tudo para ser vencedor e que acabou não indo em frente, em função dos conflitos com seu vice, Sérgio Gonçalves.

              Mesmo assim, Rocha está à frente do projeto político da sua sucessão. Ele está montando toda a estratégia do PSD, partido que comanda no Estado e preparando o caminho para que seu candidato a sucessor, Adailton Fúria, consiga seu objetivo.

            Foi Marcos Rocha, aliás, quem conseguiu convencer o empresário e apresentador Everton Leoni a ser o candidato a vice na chapa liderada por Fúria. A escolha teve também a mão do experiente Expedito Júnior, mas a participação de Rocha no convencimento de Everton foi  fundamental.

            Agindo agora mais nos bastidores da política, o Governador, contudo, não tira os olhos de seus planos para a reta final de mandato. A compra da área pra o Hospital de Urgência e Emergência, na zona leste de Porto Velho, é a grande prioridade. 

CANEDO ORIENTA SOBRE COMO OBTER FINANCIAMENTO PRIVADO DE CAMPANHA ATRAVÉS DA “VAQUINHA VIRTUAL”

         Atenção candidatos! Não é apenas pelo Fundo Eleitoral que você pode conseguir recursos para sua campanha. Há uma forma de arrecadação que poucos conhecem. E ela é explicada pelo advogado Nelson Canedo, um dos maiores especialistas em legislação eleitoral da nossa região.

           Segundo Canedo, embora desde 2015 seja proibida a doação de empresas e particulares para as campanhas, há uma forma legal de se conseguir isso. “Há um meio eficiente e legal para arrecadação de recursos para a campanha. O surgimento do financiamento coletivo, conhecido popularmente como vaquinha virtual, pode ser feito, através da interbnet”, explica Canedo.

           A arrecadação pode ser feita através der empresas especializadas, cadastradas junto à Justiça Eleitoral. Qualquer pessoa física poderá doar neste sistema, desde que o valor não ultrapasse 10 por cento dos seus rendimentos no ano anterior à eleição, informa.

          A vantagem deste sistema é a antecipação dos recursos, mas, mesmo arrecadados antecipadamente, a partir deste 15 de maio, os valores só poderão ser utilizados pelo candidato depois que ele for aprovado em convenção e abrir sua conta CNPJ para o pleito.

          O conhecido advogado explica mais detalhes do tema, num vídeo que pode ser acessado pelo link https://www.instagram.com/reels/C1_xG_zOFwY/

LÁ SE VAI UMA DAS POUCAS ESPERANÇAS DE QUE O BRASIL PUDESSE ACABAR COM TODA A CORRUPÇÃO?

          Batom na cueca? Uma das poucas esperanças do Brasil do bem de voltarmos a ter um país decente, começa a se esvair. O novo escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master, mesmo que os pedidos de dinheiro tenham sido feitos antes da explosão da roubalheira de Daniel Vorcaro, sem dúvida conspurcou uma candidatura que, até agora, ao menos, parecia imune a toda esta podridão.

           Os lulistas e outros aliados ao Governo, envolvidos até o pescoço em todos os grandes escândalos das últimas décadas, estão efusivos, radiantes, saltitantes. Não poderia ter caído no colo deles melhor evento, mesmo que  lamentável. Os defensores de Flávio fazem várias alegações, algumas realmente sólidas, mas é sempre bom lembrar que não basta à mulher de César ser honesta. Tem que parecer honesta.

              Tanto Ronaldo Caiado (este também atacado pela esquerda, mas ileso até agora) quanto Romeu Zema, trataram também se lamentar o episódio e cobrar explicações de Flávio Bolsonaro. Ambos, com zero de ligações com o escândalo do Master, podem subir nas pesquisas.

              Mas, mais uma vez, o destino parece que quer ver é mesmo nosso país cada vez pior. Tudo o que aconteceu beneficia, mais que ninguém, ao presidente Lula e seu projeto de quarto mandato. Parece que os céus não querem mesmo que o Brasil se livre de tudo o que é de ruim que tem vivido nos últimos anos.

          As orações de milhões de brasileiros, infelizmente, não têm sido ouvidas!

NOSSA CARNE FORA DA UNIÃO EUROPEIA PODE AFETAR PROJETO DE AMPLIAR AS EXPORTAÇÕES DO SETOR DE RONDÔNIA

          Rondônia, mesmo sem ainda vender carne para o Mercado Comum Europeu, será sim prejudicada com a decisão dos países daquela comunidade mundial em não comprar mais carne brasileira, a partir de setembro deste ano. Por que? Nosso Estado já vende a carne aqui produzida para dezenas de países e há pelo menos uma década, há negociações abertas com o Mercado Comum da Europa, que ainda não haviam sido concluídas.

          A decisão emanada da entidade que reúne vários países não afeta nosso presente, mas sim o nosso futuro.  E com injustiça. Nosso carne, chamada de “carne verde”, pelo gado criado apenas no pasto e sem uso de qualquer produto químico na alimentação, é considerada de alta qualidade. Contudo, entra no pacote da proibição, porque as exportações são computadas como nacionais e não regionais.

          Nossa produção de uma carne saudável, aceita em inúmeros clientes mundo afora, nos coloca em destaque no cenário nacional. Temos hoje o sexto maior rebanho bovino do país, com 17 milhões de cabeças (nos anos 70, portanto há apenas um pouco mais de 50 anos, se podia contar o rebanho local nos dedos) e também estamos entre os maiores exportadores de carne do Brasil.

          De imediato, a decisão do bloco econômico europeu não afeta Rondônia diretamente, mas, caso não seja revertida a decisão, nossas negociações futuras, que poderiam significar um salto significativo nas vendas ao exterior, ficarão sim prejudicadas.

FIERO DIZ QUE FIM DA “TAXA DA BLUSINHA” PREJUDICA A INDÚSTRIA NACIONAL E É NECESSÁRIO DIMINUIR O CHAMADO “CUSTO BRASIL”!

          O setor produtivo não concorda com o fim da chama “Taxa das Blusinhas”, a taxação sobre importações de produtos até 50 dólares, que o governo brasileiro cancelou, principalmente em função do ano eleitoral.  Em Rondônia, a Federação das Indústrias (FIERO) avalia que a decisão “pode provocar impactos na economia nacional, principalmente sobre empresas que produzem no país e enfrentam custos elevados para manter suas operações”.

          A retirada da cobrança do imposto favorece a entrada de mercadorias estrangeiras no mercado brasileiro em condições consideradas desiguais. Para a FIERO, “o cenário amplia a concorrência com produtos importados e reduz a competitividade da indústria nacional, afetando segmentos que dependem da produção interna para geração de emprego e renda”.

          Na avaliação da FIERO, a prioridade do governo federal deveria ser a redução do chamado “Custo Brasil”, conjunto de entraves que encarece a produção no país e dificulta a disputa com mercados internacionais. “Quando há redução de tributos apenas para produtos importados, cria-se um tratamento diferenciado às importações, prejudicando a indústria nacional e desestimulando a produção interna”, lamenta.

COMBATE É ACUSADO DE AGREDIR JORNALISTA, SE DEFENDE, MAS A BRIGA ACABA EM OCORRÊNCIA POLICIAL

             O controvertido vereador Marcos Combate, que tem se destacado nas redes sociais pela dura oposição ao governo do prefeito Léo Moraes, envolveu-se em mais uma confusão. Ele é acusado, inclusive através de um Boletim de Ocorrência policial, de ter agredido um jornalista. Horas depois, divulgou vídeo afirmando que reagiu à uma tentativa de extorsão.

           O caso teve grande repercussão, com protestos e notas de repúdio de jornalistas e suas entidades. Na verdade, a confusão entre o ­­­vereador e o dono de um site já vem de longa data, desde que foi encerrada uma parceria entre ambos.

               Edeval Francisco, do site Se Liga Rondônia, segundo Combate, passou a atacá-lo. O vereador fez outras acusações, que certamente terá que provar. A agressão aconteceu depois de um bate-boca entre os dois, testemunhada por várias pessoas.

               Combate escolheu um tipo de ação política que não é comum em Rondônia. Tem sido um duro opositor a Léo, mesmo com a alta popularidade do Prefeito. Além disso, tem feito críticas também ao Governo do Estado, embora que esta não seja uma função de um vereador.

                  Candidato a deputado estadual, Combate se tornou uma voz isolada, mas até agora não havia ultrapassado sua função. Agredir um jornalista, mesmo que adversário e inimigo, pode causar sérios danos à carreira de um político novo e que pode ter futuro, pela forma como atua. Críticas duras sim. Bate boca até se aceita. Mas agressão, não! Daí não tem como se aceitar.

PERGUNTINHA

        Na sua opinião, é correto e moral o Presidente da República ingressar num evento de grande porte, como a posse do ministro Nunes Marques, novo presidente do TSE, de braços dados  com uma ministra do Tribunal e da Suprema Corte, que deveria ser distante de autoridades dos demais poderes, por sua posição, como ocorreu com Cármen Lúcia, em Brasília, nesta terça-feira?


Fonte: Jornalista Sérgio Pires / Porto Velho-RO





quinta-feira, 14 de maio de 2026

CONVITE - 1º Encontro / Doidos por Estrada / Jaru-RO


 
O convite está feito, vamos participar. Vai ser muito legal!






ROBSON OLIVEIRA - Resenha Política

 ARROGÂNCIA

O problema da política rondoniense não é a falta de líderes. É o excesso de “pais da pátria” reivindicando autoria sobre carreiras alheias, como se mandatos eletivos fossem capitanias hereditárias distribuídas em mesa de jantar. A mais recente investida veio do pré-candidato ao governo pelo PT, Expedito Neto, ao insinuar que adversários seriam uma espécie de “criação” política da família Expedito porque, em algum momento, dividiram palanque com ele ou com o pai. Nada mais arrogante em política e revela que dois mandatos na Câmara Federal o fedelho não aprendeu nada. Continua o mesmo.
OSMOSE
A declaração não é apenas arrogante. É politicamente perniciosa. Reduz a vontade popular a um cartório familiar onde votos seriam transferidos como escritura de imóvel. Em política, alianças ajudam, abrem portas, pavimentam caminhos. Mas ninguém vira prefeito, senador ou governador por osmose genética de grupo político. Quem não tem voto, empatia e capacidade de comunicação vira apenas ex-candidato com discurso ressentido.
ESCAMOTEIO
É verdade que Hildon Chaves foi alçado candidato tucano numa articulação conduzida por Expedito Júnior, num momento em que o então o  ex-promotor enfrentava desconfiança partidária. O detalhe omitido por Neto é que, nos bastidores, o próprio Expedito Júnior hesitou sobre a viabilidade eleitoral do afilhado político e chegou a abrir conversas paralelas com outros nomes da disputa, entre eles Léo Moraes, que acabaria indo ao segundo turno contra Hildon. Convicção absoluta? Não havia. O convencimento de que Hildon Chaves era viável veio de quem o próprio Expedito Junior já declarou numa rádio. E não dele. Um detalhe que Neto escamoteou.
VERSÕES
A insistência na candidatura própria veio muito mais do entorno político do que de qualquer iluminação estratégica familiar. A política real - essa que acontece longe dos microfones e das bravatas - raramente cabe nas versões heroicas contadas depois.
REGOZIJO
No caso de Marcos Rogério, a tese de “cria” beira o delírio retórico. Quando foi convidado para compor chapa majoritária como candidato ao Senado, já possuía mandato consolidado de deputado federal e trajetória própria. Aceitou compor aliança, não assinar adoção política. E a ideia de convidá-lo para chapa não surgiu da cabeça de Expedito Junior. Foi da assessoria. Isto ele também já revelou. Neto, mais uma vez, escamoteou para se regozijar o ego superlativo do DNA.
SÍNDICO
Já Léo Moraes, Hildon Chaves e Fúria possuem algo indispensável que nenhuma família entrega em cartório: densidade eleitoral. O eleitor pode até errar, exagerar ou se arrepender depois. Mas não terceiriza sua vontade para sobrenomes tradicionais como quem escolhe síndico de condomínio.
VENDETA
A entrevista concedida por Expedito Neto ao jornalista Fábio Camilo revela um personagem que continua o mesmo de outrora: verborrágico, afeito a pantomimas e incapaz de esconder a compulsão por conflito. Mudou de campo ideológico, desembarcou no PT mediante articulação nacional e hoje posa de convertido à esquerda, mas preserva intacto o velho hábito de transformar divergência política em vendeta pessoal.
HERANÇA
Neto foi eleito, sim, na esteira do capital político do pai. Não há desonra nisso; quase toda oligarquia regional brasileira opera assim desde os coronéis do café até os influencers de palanque digital. O problema começa quando o herdeiro passa a acreditar que o prestígio herdado lhe concede propriedade intelectual sobre o destino dos outros.
LOROTA
Neto tem o talento de falar com desenvoltura - até demais -, e fez um primeiro mandato na Cãmara Federal razoável que culminou com sua reeleição. Mas no segundo, aquele em que votou pelo impeachment da Dilma e hoje se arrepende , foi um desastre. Razão pela qual obteve metade da votação da eleição seguinte. Ao invés de anunciar quais propostas para governador Rondônia optou em contar lorota.
CENTRALIDADE
A entrevista foi reveladora não pelo conteúdo programático - praticamente inexistente -, mas pelo retrato psicológico do personagem. Expedito Neto parece menos interessado em construir um projeto de governo e mais empenhado em reafirmar centralidade num cenário onde antigos aliados aprenderam a caminhar sem pedir bênção.
‘CRIAS’
No fim, sobra uma ironia amarga: ao tentar diminuir adversários chamando-os de “crias”, o neopetista acabou apenas confessando aquilo que mais incomoda velhos caciques regionais - a dificuldade de aceitar que o eleitor, às vezes, emancipa politicamente quem um dia apenas esteve no mesmo palanque. Nem Valdir Raupp, responsável em apresentar Expedito para uma eleição a deputado federal, ousou dizer que o pai do Neto foi cria sua. Afilhado não se cria caso não tenha talento. Nem filho...
CONSTRANGIMENTO
As revelações divulgadas pelo site The Intercept Brasil envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, produziram um dos episódios políticos mais constrangedores do campo bolsonarista nos últimos meses. Não apenas pelo teor das conversas vazadas, mas principalmente pela sucessão de versões contraditórias apresentadas pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
IRONIA
O impacto inicial da crise decorre menos da existência de uma relação pessoal entre político e empresário - algo relativamente comum nos bastidores do poder - e mais da tentativa frustrada de negar aquilo que posteriormente foi admitido. Quando questionado pela primeira vez sobre os diálogos revelados, Flávio reagiu de forma irônica, atacando o jornalista responsável pela reportagem e atribuindo motivações ideológicas à divulgação. A estratégia é conhecida: desacreditar o mensageiro para evitar o desgaste da mensagem.
CONFISSÃO
O problema surgiu quando o conteúdo divulgado tornou insustentável a negativa inicial. Diante da repercussão, Flávio acabou admitindo ter solicitado recursos financeiros ao banqueiro, embora tenha tentado enquadrar o pedido como uma demanda de natureza privada.
RUÍDO
Politicamente, porém, a justificativa foi devastadora. Para um grupo político que construiu sua identidade eleitoral no discurso moralista e no combate implacável contra relações obscuras entre empresários e agentes públicos, a revelação produz um ruído difícil de neutralizar fora da militância mais fiel. E é exatamente aí que reside o ponto central dessa crise.
BOLHA
A base bolsonarista mais radicalizada opera hoje como um ecossistema fechado de validação política. Dentro dessa bolha digital, narrativas são reproduzidas quase em tempo real, transformando versões defensivas em verdades absolutas antes mesmo de qualquer aprofundamento jornalístico. Até o momento, é perceptível que boa parte desse eleitorado permanece fiel ao senador, reproduzindo a tese de perseguição política e relativizando a gravidade das revelações.
CONTAMINAÇÃO
No entanto, eleições presidenciais não são vencidas apenas com militância apaixonada. O eleitor decisivo costuma estar no centro político, muitas vezes distante do engajamento ideológico das redes sociais. Foi exatamente esse eleitor moderado, menos suscetível a discursos inflamados e mais sensível a contradições éticas, que contribuiu decisivamente para a derrota de Jair Bolsonaro em 2022.
PERFIL
É nesse segmento que o episódio pode produzir danos mais profundos e duradouros. A imagem de um pré-candidato presidencial pedindo dinheiro a um banqueiro posteriormente preso, ainda que sob alegação de questão privada, gera desgaste imediato junto ao eleitorado que exige coerência entre discurso e prática.
NARRATIVA
A crise ganha contornos ainda mais delicados porque o bolsonarismo sempre explorou eleitoralmente escândalos envolvendo relações promíscuas entre política e setor financeiro. Quando o mesmo tipo de suspeita passa a atingir figuras centrais do grupo, a narrativa anticorrupção perde potência.
PESQUISAS
Ainda assim, é precipitado decretar consequências eleitorais definitivas. A política brasileira tem demonstrado enorme capacidade de absorção de escândalos, sobretudo em ambientes marcados por forte polarização ideológica. O impacto real só poderá ser medido nas próximas pesquisas qualitativas e quantitativas, especialmente na percepção do eleitorado independente.
CORROENDO
Por enquanto, o que existe é um dano político visível, barulhento e potencialmente corrosivo. Talvez não suficiente para inviabilizar uma candidatura, mas certamente capaz de enfraquecer um discurso que sempre se vendeu como moralmente superior aos adversários. A bolha está firme Flávio Bolsonaro, mas ela sozinha não elege um presidente. Nem governador.
 DISPUTA
Quem analisa os dados dos grupos qualitativos e possui alguma experiência com este tipo de pesquisa conclui sem medo de errar que a eleição para o senado Federal, em Rondônia, promete muita mudança na medida que o calendário eleitoral for se estreitando. É uma eleição aberta e bem disputada e vai ser assim até o último dia da eleição. É uma disputa para corações fortes. 
PODCAST
Neste sábado, no podcast resenha política, receberemos para gravação os pré-candidatos ao Senado pelo PL. Fernando Máximo vem pela segunda vez e, pela vez primeira, entrevistaremos o "Zero Cinco" do bolsonarismo, Bruno Scheid. As entrevistas vão ao ar nas semanas seguintes. 

Fonte: Jornalista Robson Oliveira / Porto Velho-RO